Um espaço criado para reunir artistas, trocar saberes e fomentar a cena criativa local tem ganhado força em Itapetininga. Idealizado pela artista visual, designer gráfica e gestora cultural, Thays Moraes Leonel, o “EAI Cultural”, sigla para “Espaço Artístico de Impacto”, foi iniciado em março deste ano a partir de encontros em sua casa-ateliê e já promoveu uma série de atividades voltadas à formação artística, ao fortalecimento comunitário e à democratização do acesso à cultura.
“Nosso principal objetivo é fomentar, profissionalizar e divulgar a cena artística da cidade e região, ampliando os horizontes criativos de quem produz aqui”, explica Thays. Com uma proposta colaborativa e territorial, ela define o movimento como uma rede aberta que valoriza a diversidade e atua com foco em linguagens como artes visuais, literatura, música, teatro, manualidades, moda e economia criativa, como brechós e projetos de reciclagens.
A curadoria das ações é feita de forma compartilhada. Quinzenalmente, um núcleo com 12 integrantes se reúne para discutir temas como editais, oficinas e estratégias de mobilização. Já no dia a dia, a condução fica por conta de Thays, Byanca Monteiro e Iria Gisely. “O EAI é um organismo vivo. A gente se influencia e se transforma com o território e com as pessoas que passam por aqui”, afirma a fundadora.
Entre os projetos já realizados estão oficinas de colagem, cerâmica, crochê, pintura neon na luz negra, rodas de conversa sobre arte e moda, sessões de cinema ao ar livre e vivências musicais. Um dos destaques é o Clube do Crochê, um encontro gratuito que reúne crocheteiras de diferentes idades para troca de experiências. “É uma forma de valorizar saberes manuais e criar vínculos geracionais”.
Segundo a artista, os desafios enfrentados por coletivos e artistas independentes na região envolvem comunicação, sustentabilidade financeira e acesso a públicos periféricos. “A maioria das ações ainda se concentra no centro e em grupos já privilegiados. É preciso descentralizar”, comenta.
O movimento atua de forma totalmente independente, mas busca parcerias públicas e privadas para viabilizar suas atividades. A artista afirma que houve uma abertura inicial com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e que a intenção é ampliar o diálogo com outras pastas, como Educação e Turismo, para articular ações integradas. “Acreditamos que investir em cultura é investir em impacto simbólico, social e econômico”, diz.
Nos próximos meses, o EAI prepara uma maratona de oficinas para o mês de julho, com um edital de exposição coletiva com premiação para artistas locais, além da inauguração oficial de uma sala de som. Entre os sonhos da equipe estão a criação de uma escola livre de arte, uma residência artística e a formalização de um acervo com obras de artistas da região.
Para acompanhar as atividades, o coletivo divulga sua programação pelo Instagram @eai_cultural. Além disso, eles também mantêm um grupo de WhatsApp com acesso aberto ao público.
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