O Inverno chegou e, com ele, a vida da pneumopediatra Monna Lisa de Araújo ficou ainda mais intensa. Entre os atendimentos do consultório, plantões e rotina, há sempre alguém a sua espera, com o coração ansioso: É Theo, que se autodenomina “O Theo da Monna”.
Após o parto, a médica pausou sua carreira por apenas quatro meses. Voltou ao trabalho com o coração aflito e tentou encontrar formas de suavizar a despedida: “Theo estava em aleitamento materno exclusivo. Era uma quarta-feira à noite. Lembro como se fosse hoje. Me vesti e coloquei um nariz de palhacinho, para distrair e alegrar o Theo. Por dentro eu chorava. Mas consegui fazê-lo sorrir e ficou aos cuidados do meu bem maior: minha mãe. Foi um plantão difícil, era época de pandemia, tínhamos muito medo e receio. Esgotei durante plantão leite para levar para o Theo. Me senti mal de ter voltado, mas sabia que era importante também para resgatar a Monna Lisa pediatra, profissional”, relembra a médica.
Conhecida pelo atendimento humanizado e repleto de amor, Monna trata cada paciente como um filho. Ao mesmo tempo em que cuida da saúde dos pequenos, também acolhe a necessidade materna, oferecendo um diagnóstico preciso e zelo. “Sou privilegiada em trabalhar com algo que amo. Isso com toda certeza deixou essa fase difícil – que se resume em deixar quem mais amo no mundo em casa – ser mais leve. Diminuiu um pouco a culpa que levamos diariamente na maternidade. De fato, me sinto um pouco mãe de cada pacientezinho meu. E o Theo é conhecido por todos, uma vez que sempre exemplifico minha experiência da maternidade no consultório. Todos os dias explico ao Theo que preciso trabalhar, porque tenho que ajudar e cuidar das crianças que estão dodói, mas faço questão de levar ou buscar na escola e nas atividades. O Theo é extremamente compreensivo”, afirma a profissional.

Como todas as mulheres, ela também carrega em suas costas o peso da culpa materna, quando o assunto é “retornar ao trabalho”. Tudo se intensifica quando o filho adoece e o dever lhe chama. O que consola é saber que, através do seu trabalho, diversas famílias são amparadas. E, ao contrário do que muitos pensam, a maternidade só fortaleceu sua carreira: “Sempre falo para as mães que existe a Doutora Monna Lisa antes do Theo e depois do Theo. Consigo acolher muito melhor a mãe, porque hoje sou mãe e vivenciei muitas situações que são relatadas no consultório. Percebo, ainda, que as mães se sentem mais seguras com essa troca de experiência”.
Sua rotina é agitada, os horários apertados e os papéis se entrelaçam sempre. Ela se doa e transmite exemplo mesmo com a agenda lotada. E, mesmo atenta no trabalho, tem seus atos constantemente observados “sobre a porta”, como diz Theo, que adora ser examinado como seus pequenos pacientes. A bem da verdade é que, apesar de todo esforço, não existem duas Monnas. Existe apenas uma mulher que se tornou completa, uma vez que é moldada pela ciência, fé e ternura.
De tudo, o que importa, é que um dia, o brilhante Theo se lembrará de quando a mamãe chegava do plantão e, mesmo exausta, tinha o colo quente e aconchegante. Lembrará dos dias mais gelados de julho. De quando ela velava seu sono, ajeitando o cobertor que ele teimava em tirar. Ao mesmo tempo, tantas outras crianças (seus queridos pacientes) também se lembrarão do cuidado e amor que receberam.
Porque a querida Monna Lisa – um verdadeiro presente que Itapetininga recebeu – não escolheu entre ser mãe ou médica. Ela escolheu cuidar. E, esse verbo, não se perde nunca nos dias de nevoeiro. Ele sobrevive em qualquer estação do ano, para então florescer no coração daqueles que são constantemente cuidados e amados por ela.
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