Funcionários e ex-funcionários do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Itapetininga protocolaram, na Câmara Municipal, uma denúncia em conjunto contra a unidade estadual de saúde. No documento, mais de cinco profissionais entre médicos, enfermeiros, auxiliares administrativos e outros, relatam casos de assédio moral, agendamentos irregulares de consultas e exames para amigos e familiares de funcionários, registros incorretos de jornada, favorecimento interno e outras práticas consideradas inadequadas.
No documento, obtido pelo Correio, um dos denunciantes observou que diversos colaboradores estariam agendando consultas de forma irregular, incluindo marcações para si mesmos, familiares e amigos, sem pedido médico ou autorização formal, prática proibida pelas regras internas do ambulatório.
O denunciante ainda relata que o procedimento errado era comum entre funcionários, mas a gestão só questionava alguns deles, enquanto outros recebiam tratamento privilegiado.
Outra denúncia anexada aponta que uma funcionária, mesmo após ser realocada para uma função que não previa contato direto com o sistema de consultas, continuou realizando agendamentos de pacientes.
Há também relatos de uma colaboradora que teria agido de forma agressiva com colegas nos corredores do ambulatório, interrompido atendimentos e causado transtornos na organização do local. Mesmo após diversas comunicações aos Recursos Humanos e à supervisão, nenhuma medida efetiva teria sido tomada, segundo registros. O documento mostra que, mesmo após diversas queixas, as condutas da funcionária continuaram afetando o andamento das consultas e o trabalho dos demais setores.
Outras reclamações enviadas à gerência descrevem erros cometidos pela gestão do ambulatório como redução irregular do tempo de consulta de 45 para 15 ou 20 minutos, mesmo após alerta; superlotação na agenda, com nove pacientes marcados apenas no período da manhã, impossibilitando atendimento adequado; erros de horário, como pacientes de outras cidades agendados para duas horas antes do previsto; marcações erradas como “retorno” quando eram consultas novas; registros incorretos na agenda, afirmando que um funcionário teria ido embora, quando documentos provam que ele estava trabalhando.
No arquivo consultado pela reportagem, há também episódios de comentários pejorativos, excesso de cobranças, distribuição desigual de responsabilidades e tentativas de prejudicar a imagem de trabalhadores perante a gestão. Além de um caso onde uma enfermeira teria autorizado consulta sem ter competência legal ou administrativa para tal.
O arquivo protocolado na Câmara Municipal, foi enviado no dia 03 de novembro, solicitando à Comissão de Saúde Municipal, que o caso ganhasse mais atenção.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), em fevereiro deste ano, um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta foi assinado entre o MPT e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), responsável pela administração do AME, após investigações que apontaram para a ocorrência de assédio moral no AME de Itapetininga. No momento, o MPT está acompanhando o cumprimento do acordo extrajudicial.
Em nota enviada ao Correio, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que o AME de Itapetininga iniciou uma auditoria interna para apurar as denúncias encaminhadas pela Câmara Municipal.
Além disso, informou que o AME local possui canais oficiais para recebimento de denúncias e que, até o momento, não há registros das irregularidades mencionadas. Ressaltou ainda que não compactua com práticas de assédio, perseguição, manipulação de processos internos ou qualquer ação que possa prejudicar pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para ler mais reportagens como essa, acesse a área de Saúde.















