Na última quinta-feira, 27 de novembro, no auditório da FKB (Faculdades Integradas de Itapetininga), para uma plateia de aproximadamente cem pessoas formada por gestores escolares, professores, profissionais liberais e artistas, ocorreu o lançamento do admirável livro “Itapetininga: entre memórias e registros”, do professor e diretor artístico Milton Cardoso.
Dividido em cinco momentos, o evento trouxe uma palestra sobre a importância da crônica, declamações de poesias escritas por alunos da rede pública, leitura dramática de textos da obra recém-lançada, relatos de histórias e de inspirações do autor e a habitual sessão de autógrafos. Cada instante ajudou a celebrar, com especial e justa homenagem, esse livro que veio à luz para enriquecer e encantar a trajetória da cidade.
Por meio de histórias particulares antes escondidas, o trabalho de Milton Cardoso oferece uma visão ampla da vida de Itapetininga e de seus habitantes em diversas áreas e épocas. As narrativas que ali se desencadeiam reconstroem a história local e sublinham seu patrimônio cultural à medida que dão relevância aos protagonistas das transformações sociais: as personalidades do povo, os fatos curiosos, as tendências artísticas, os costumes rurais e urbanos enraizados, a religiosidade latente e as crônicas perspicazes responsáveis por modelar a identidade itapetiningana.
A prática de narrar as ações humanas colabora não só para a compreensão do passado, mas também para a construção segura do presente. Ela é responsável pela releitura que praticamos da realidade e, consequentemente, pela ampliação da nossa visão de mundo. Nesse sentido, a escolha da crônica como tipo textual ajustou-se plenamente ao propósito da obra de Milton Cardoso, pois se trata de um gênero discursivo que alia a transitoriedade da vida, em seus aspectos factuais corriqueiros, ao significado contido em gestos, falas, comportamentos e episódios aparentemente despretensiosos. Esse tipo de texto é um campo de liberdade criativa que, na leveza do cotidiano, conta os fatos e lhes captura a essência para alçá-los à perenidade.
A palestra intitulada “A crônica no espaço fronteiriço entre a brevidade e a permanência”, proferida na abertura desse lançamento, procurou destacar justamente esse papel da crônica que, apesar de possuir um formato curto influenciado pelo jornalismo, deixou de ser mero registro historiográfico para se tornar peça literária imbuída de implícitos e relevantes sentidos. Por esse motivo, há tempos ela caiu no gosto diário dos leitores que, nas linhas da prosa do mundo, encontram a verdade e a imaginação alternadas e, às vezes, combinadas.
Cabe ressaltar um ponto notável do lançamento da última quinta-feira: a apresentação dos pequenos poetas, das crianças que, dotadas de genuína sensibilidade, trouxeram a público poesias que escreveram em homenagem à história de Itapetininga. A qualidade do que produziram é um inegável indicativo de que o futuro já nasce com auspicioso e crucial talento.
Milton destacou, em sua fala de encerramento, ser um apreciador de histórias e, por extensão, um bom contador de “causos”. Por isso resolveu construir o livro a partir desta premissa, a dos relatos que se perpetuam em registros e que se transformam à medida que praticam as suas andanças. Não à toa, o trabalho com o qual hoje nos brinda tem a capacidade de aguçar a curiosidade, aflorar emoções escondidas, desenvolver o senso crítico e rearranjar as mais variadas memórias.















