Quem assistiu aqui em Itapetininga a eletrizante final da Copa de Futebol do Brasil entre o carioca Vasco da Gama e o paulista Corinthians Paulista no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, no último domingo, ficou surpreso. Nem tanto pelas jogadas dos dois times, mas principalmente pela torcida vascaína. Principalmente quem tem sessenta anos ou menos. Principalmente porque o time carioca desde 2011 não ganhava nenhum título de destaque daí então.
Quando os torcedores itapetininganos de sessenta anos ou por aí viram na televisão a massa de torcedores com uniformes aparecendo a cruz de malta ficaram surpresos. É sabido que Vasco da Gama foi um navegante português que como suas caravelas cruzou contornos geográficos da América do Sul, descobrindo novos caminhos para se chegar até as Índias, daí o nome do time fundado em sua homenagem pelos imigrantes portugueses desde o século XIX, construindo um estádio de futebol no bairro de São Januário.
Digo isto em relação aos paulistas mais novos que nunca tinham visto tanta algazarra e alegria por parte dos cariocas cruzmaltinos antes da finalíssima. Os torcedores, mais fervilhantes que a média de outros torcedores brasileiros com uma alegria ímpar. O adolescente itapetiningano paulistano só tinha visto exclamações de êxtase do Flamengo, algumas vezes do Botafogo e Fluminense. Principalmente do Flamengo que no decorrer destes últimos anos vem ganhando títulos municipais, regionais, nacionais e internacionais.
Vários comentaristas de futebol assinalam que o time do povão do Rio de Janeiro e que inclui todas as camadas sociais, principalmente as classes mais carentes, ou da zona portuária, das comunidades do morro, da classe média também ou rica (que não aparece muito) tem o bordão: “Casaca, casaca, casaca”, muitas vezes ouvidas nestes dois jogos finais. Enfim, o Vasco da Gama mesmo não levando a Copa do Brasil (milionária nos prêmios) apareceu na mídia fora do Rio.
Há muito tempo, pela falta de títulos e verdadeiros craques futebolísticos, o time da Cruz de alta estava escondido, murcho, pacato, desanimado e agora como finalista do Torneio, apareceu. Mas não levou ainda. Mas os 65 mil torcedores que estavam no Maracanã no último domingo, apareceram desde a entrada dos cruzmaltinos em campo.
No Rio (ao contrário de São Paulo) é permitida a entrada de bandeiras com mastro. Daí a beleza do espetáculo cênico que se vê. As “mil” câmeras da TV Globo tentam mostrar tudo. Como quase não há mais brigas no interior dos estádios, assistir a uma partida de futebol é como ir aos shoppings. Homens, mulheres, adolescentes, crianças, bebês, todos vão lá. Já é um ritual quase obrigatório para a população de qualquer estado.
O Vasco perdeu, mas ficou em nossos ouvidos o bordão “Casaca, casaca, casaca”. E os escudos (no bom sentido) com a figura da Cruz de Malta levantados.
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