O Jornal Correio resgata momentos marcantes de Itapetininga, revisitando reportagens e fatos que fizeram história há 20 anos. Nesta semana, republicamos a matéria de 2006: “Dólar baixo faz Ebras fechar as portas em Itapetininga”, relembrando um baque marcante para o desenvolvimento e economia da cidade.
A empresa, que demitirá 200 funcionários, alega que a política cambial foi motivo para encerrar suas atividades na cidade
A Ebras, empresa especializada na fabricação e comercialização de materiais escolares, materiais de escritórios, artísticos e para o lazer, fechará suas portas em junho. Segundo o gerente geral do campus Itapetininga, Clóvis Izídio de Almeida, a empresa encerrou suas atividades na cidade devido à política cambial, que impossibilita as exportações e propicia melhores condições de preços para produtos importados.
Outros motivos alegados pela empresa, referem-se a carga tributária demasiadamente alta, encargos e os custos de mão-de-obra (condições desiguais entre os concorrentes de outros Estados), falta de pessoal qualificado no município e a guerra fiscal entre Estados (sobretudo, incentivos concedidos por outros governos estaduais, em detrimento de São Paulo), além da política econômica do Governo Federal. Ao todo, 200 funcionários diretos foram demitidos e cumprirão aviso-prévio até junho.
A empresa estava investindo, já há algum tempo, para aumentar a participação no mercado externo, mas a baixa do dólar impossibilita as exportações. Milhões de dólares foram investidos nos últimos anos para a atualização tecnológica da unidade local e consideráveis esforços em aumentar a participação do mercado externo. Para isso, a empresa vinha participando há mais de seis anos de feiras internacionais e investindo em novos produtos e clientes. “Estávamos exportando para Argentina, Uruguai, Paraguai, México e Estados Unidos”, diz Almeida.
“A decisão de encerrar as atividades agora é para não chegar em uma situação extrema. Com a decisão tomada, a empresa está tomando todas as providências visando honrar todos os compromissos com os colaboradores de acordo com a lei e as condições negociada com o sindicato da categoria. Quanto aos colaboradores em situação de licença por questões médicas, estamos com um plano para que os mesmos sejam amparados”, completa o gerente.
Busca por apoio
O gerente esteve reunido no dia 12/4 com o secretário municipal Rui Martins, de Desenvolvimento Industrial, informando as dificuldades enfrentadas pela empresa e sua possível desativação. “O fechamento foi comunicado oficialmente à Prefeitura na noite de quarta-feira, dia 26, quando estive reunido com o prefeito, o vice-prefeito, o secretário e os vereadores Pastor Salvador e Geraldo Macedo”.
Com uma linha de produtos que agregavam mais de 50 itens, a Ebras atendia todo o território nacional, além de exportar para os tradicionais mercados da América Latina e Europa. O parque industrial instalado desde 1996 em Itapetininga possui uma área de 244.000m2, sendo 8.000m2 de área construída.
O próximo plano da empresa é continuar com suas atividades em São Paulo com importação, comercialização e distribuição. Também estão sendo efetuados estudos em paralelo para a viabilização da instalação da indústria em outras cidades e/ou outros Estados.
Para ler mais notícias como essa, acesse a área No Correio há 20 anos.















