O sistema de transporte público gratuito de Itapetininga completou dois anos e é apontado por usuários como um avanço na mobilidade urbana, mas reclamações sobre superlotação, longos intervalos e falta de ônibus nos horários de pico seguem recorrentes.
Morador da Vila Mazzei, o pedreiro José Carlos afirma que o impacto financeiro da tarifa zero foi positivo. “Antes eu gastava boa parte do meu salário com Uber. Nesse ponto melhorou muito. O problema é que no meu bairro o ônibus demora demais. Se perco um, tenho que esperar quase uma hora. Se tivesse mais horários de manhã cedo, ajudaria bastante quem trabalha”, relata.
Entre idosos, a principal dificuldade está relacionada à lotação. Dona Lourdes, de 68 anos, aposentada, diz que utiliza o transporte para atividades do dia a dia. “Acho ótimo ser de graça, porque eu uso toda semana pra ir na farmácia e fazer compras. Mas é cheio demais. Tem dia que não consigo sentar, nem no banco preferencial. As pessoas nem sempre respeitam.”
Quem depende do ônibus diariamente para trabalhar também relata desconforto nos horários de maior movimento. A auxiliar administrativa Patrícia, afirma que a gratuidade faz diferença no orçamento, mas aponta que nos horários de pico, o transporte fica lotado. “Quase todo dia eu vou em pé o caminho inteiro. Acho que faltam mais ônibus no começo da manhã e no fim da tarde.”
Estudantes também reclamam da superlotação, especialmente na saída das aulas. Lucas Henrique, de 19 anos, destaca o benefício financeiro. “Consigo ir pra escola e pro curso sem gastar nada. Mas quando sai todo mundo junto, o ônibus já vem parecendo um formigueiro de tanta gente.”
Isabela, estudante, reforça a reclamação. “Quando sai todo mundo da escola, não tem como. O ônibus já chega lotado. A gente vai em pé, espremido, mochila atrapalhando. Falta mais ônibus nesses horários.”
A espera prolongada nos pontos também é apontada como um dos principais problemas. O vigilante Carlos Henrique afirma que os intervalos impactam diretamente na rotina. “O problema não é ser de graça, isso ajuda. O problema é esperar. Tem dia que fico mais tempo no ponto do que dentro do ônibus. Se eu perco um, já sei que vou atrasar pra chegar no serviço.”
Morador do Gramadinho, Eduardo, chama atenção para a zona rural. “Ser de graça não resolve tudo. Falta organização nos horários e mais ônibus, principalmente na zona rural.”
Prefeitura não detalha melhorias no sistema
Em nota, a Prefeitura de Itapetininga disse que o sistema de Tarifa Zero atende atualmente mais de 12 mil usuários por dia útil e é financiado com recursos próprios do município, sem compensações de outras áreas.
A Prefeitura, no entanto, não informou se há previsão de ampliação da frota, nem detalhou medidas específicas relacionadas às reclamações de superlotação e os intervalos espaçados entre os ônibus, citadas por usuários.
Os horários e trajetos disponíveis podem ser consultados no site oficial da Prefeitura de Itapetininga.
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