Profissionais da rede municipal de ensino de Itapetininga relatam falta de material escolar para alunos. Segundo informações obtidas pelo Correio, em anos anteriores, os kits escolares eram distribuídos com diversos itens, individualmente para cada aluno. Entretanto, esse ano, os materiais serão disponibilizados para cada sala de aula, com número reduzido e uso exclusivo dentro do local.
Uma professora de uma escola municipal, que não quis se identificar, conta que, nos anos anteriores, todos os alunos da rede recebiam no início do ano um kit completo com cadernos tipo brochura para os anos iniciais e de 10 matérias para os anos finais, além de estojo, borracha, lápis de cor, lápis preto, tinta guache, cola colorida, pincel, entre outros itens. Além dos kits individuais, as escolas também recebiam material extra para manter em estoque.
“Nesse ano, foi a primeira vez que não teve kit individual e nem material suficiente para estoque. Chegou somente lápis preto de qualidade questionável e borracha. Na semana passada, enviaram algumas caixas de sulfite, o suficiente para as avaliações diagnósticas e nada mais”, relata.
Segundo a profissional, os problemas no fornecimento de materiais não começaram agora. Segundo ela, desde o último bimestre de 2025, por volta de outubro, a direção da unidade já enfrentava dificuldades para receber itens, principalmente papel sulfite, solicitados ao almoxarifado, responsável pelo abastecimento de materiais nas escolas. “Para conseguir aplicar as avaliações finais, a diretora precisou fazer um estoque interno e pediu para racionarmos o uso, porque o almoxarifado não estava enviando o suficiente”, afirma.
A professora destaca que muitos alunos não possuem sequer o básico. “Em uma sala com 28 estudantes, apenas 10 levaram caderno e materiais simples como lápis e borracha. Os demais dependem do que a escola consegue disponibilizar”.
Para contornar a situação, os materiais passaram a ser utilizados de forma compartilhada. “Estamos usando de maneira coletiva. As crianças utilizam o material e me devolvem no final do dia”, explica.
Ainda de acordo com a profissional, parte dos materiais têm sido comprados pelos próprios professores para garantir a continuidade das atividades.
A docente afirma que, em anos anteriores, sempre que surgia necessidade extra, como aumento no número de alunos ou reposição de estoque, os pedidos feitos pela direção eram atendidos pela Prefeitura. “Nunca tivemos esse tipo de problema. O kit vinha completo para todos e ainda ficava material guardado na escola”, disse.
A docente finaliza dizendo que, em conversa com outras profissionais da área, a dificuldade é a mesma. “De acordo com o que tenho ouvido falar de outras professoras, acredito que isso esteja acontecendo na rede toda”.
Em nota, a Prefeitura de Itapetininga informou que os kits escolares estão sendo disponibilizados para todos os alunos da rede municipal, porém para uso exclusivo dentro da sala de aula. Segundo o comunicado, os materiais permanecem guardados nas respectivas salas para evitar extravios. “Os alunos levarão para casa apenas os itens necessários para a realização das tarefas, além dos livros didáticos e de literatura”, diz a nota.
A administração municipal declarou que não há registro formal de compra de materiais por parte de profissionais da educação, nem orientação da Secretaria de Educação para que isso ocorra.
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