Itapetininga confirmou na última terça-feira, dia 29, a morte de um felino em decorrência de raiva. De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Itapetininga, é o primeiro registro da doença na história da cidade. O animal pertencia a uma família e morreu em novembro. Segundo a prefeitura, o exame teve o resultado divulgado na semana passada. O bairro onde o animal vivia não foi divulgado.
Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Rosa Maria de Carvalho, os donos do animal foram atendidos e vacinados. Ele informou que os moradores fiquem atentos ao aparecimento de morcegos, pois a doença é causada por qualquer tipo.
Segundo especialiastas, é importante ficar atento se o morcego estiver voando durante o dia ou caído no chão. Já que o animal tem hábitos noturnos. Neste caso, acione uma equipe de saúde ou ligue para a Vigilância.
Ainda conforme Rosa, Itapetininga é um polo de vacinação e pode atender qualquer pessoa da região que for mordida por algum morcego ou animal doente.
Na cidade a campanha de vacinação contra a raiva ocorreu em outubro. Apesar de a doença ser conhecida como doença do cachorro louco, também é importante que se leve os gatos para tomar a vacina. Isso porque os felinos são mais predadores e estão mais sujeitos a morder um morcego contaminado, por exemplo.
O Ministério da Saúde informou que 1 milhão de vacinas foram enviadas em todo o país: 155 mil delas para São Paulo. A Secretaria de Saúde do Estado disse que 22 mil vacinas são recebidas todos os meses, mas que apenas 70% dos pedidos têm sido entregues.
A confirmação de um caso de transmissão de raiva a um felino é considerada grave. De acordo com o veterinário Mauricio Guilherme da Silva, a doença é grave e incomum. “É extremamente incomum, pois a doença estava controlada com a vacinação. É também muito preocupante, tendo em vista que a raiva é uma doença de caráter zoonótico, ou seja, passível de ser transmitida aos seres humanos e ao apresentar sintomatologia nos animais, possui uma evolução muito rápida, levando ao óbito em poucos dias”, afirma.
A raiva
A raiva é uma disfunção viral, caracterizada como uma encefalite progressiva aguda e praticamente não tem cura. Depois de apresentar os sintomas evolui rapidamente para a morte. No mundo, apenas três pessoas infectadas sobreviveram ao mal depois de submetidas a tratamentos, mesmo assim ficaram com alguma sequela.
Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus e também podem transmiti-lo. A forma mais comum da contaminação se dá pela penetração do vírus rábico contido na saliva do animal em feridas, principalmente pela mordedura e arranhadura ou pela lambedura de mucosas. Ao ter contato com o organismo, o vírus se multiplica e atinge o sistema nervoso, alcançando depois outros órgãos e glândulas salivares, onde se replica.
Ainda há relatos de transmissão após transplantes e as remotas possibilidades de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em animais) e a contaminação da mãe para o filho durante a gestação/parto. O aspecto clínico é bem variado, o que torna difícil o diagnóstico se não houver o histórico de exposição à doença.
Os animais domésticos podem demonstrar alterações sutis de comportamento, anorexia, fotofobia, além de agressividade. O cão pode parecer desatento e, por vezes, nem atender ao próprio dono. Também pode haver um ligeiro aumento de temperatura, inquietude, crise convulsiva e paralisia, evoluindo para o coma e a morte.
Já no caso do ser humano, o paciente apresenta mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões.
Os sintomas evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. O infectado se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.
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