A Prefeitura de Itapetininga pode pagar até R$ 40,5 milhões para o Instituto Beneficente São Camilo gerenciar o Hospital Regional e o Pronto Socorro Municipal. O vereador Marcelo Nanini (SDD) reclamou que o valor subiu em relação ao anterior que era de até R$ 36 milhões. Nanini, que é presidente da Comissão da Saúde do Legislativo, reclamou do aumento de R$ 4,5 milhões.
O contrato é o maior fixado entre a administração com uma instituição particular e consumirá quase a metade do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, que terá para 2015 uma receita prevista de R$ 89 milhões. “A saúde de Itapetininga está focada no Hospital e no Pronto Socorro Municipal e a gestão municipal se esquece de estruturar os postos de saúde que são responsáveis em oferecer uma saúde preventiva”, reclamou.
Avalia que a prefeitura deve apresentar uma planilha de orçamento para explicar os motivos que levaram ao aumento do custo da rede hospitalar. “O risco é gastar todo o dinheiro para manter o mesmo serviço”, reclama. “É necessário explicar para onde vai o dinheiro. Terão novas alas de enfermaria ou será tudo igual?”, questiona o vereador.
O parlamentar, que é de oposição ao governo municipal, lembrou-se dos dois casos na maternidade, um em que o bebê morreu e outro a gestante teve uma compressa esquecida na barriga, após a realização do parto. Os dois fatos aliados as constantes filas no Pronto Socorro Municipal, são suficientes para que fossem verificados. “Acho estranho que ocorresse aumento”, disse.
Para completar, o vereador também aponta a necessidade de mais profissionais e um acompanhamento da administração sobre a jornada efetiva dos médicos. Também condenou a contratação de equipes terceirizadas no Pronto Socorro Municipal. “Tem que ter uma fiscalização. Uma pessoa de confiança do prefeito para cuidar do Hospital e do Pronto Socorro. Senão é dinheiro público indo para o ralo”, disse.
Outtro Lado
A Prefeitura de Itapetininga explicou que o valor do repasse mensal para o custeio do Hospital Regional de Itapetininga sofreu acréscimo correspondente a 12,5%. De acordo com a nota, a alteração decorreu da correção monetária, aumento no valor da Folha de Pagamento dos funcionários do Hospital e necessidade de aumento do quadro de pessoal envolvido na assistência médica. Com o novo contrato, São Camilo também assumiu o encargo do FGTS.
Também foi compactuado aumento de 1,6% das internações; 3,1% nos atendimentos de urgência e emergência; 39% nos procedimentos ambulatoriais de ortopedia; 100% de procedimentos de Diagnóstico em Laboratório Clínico; 17% na oferta de Tomografia Computadorizada. São realizadas 650 internações hospitalares. No Pronto Socorro estão pactuados a realização mensal de 10 mil consultas médicas ao mês.
Secretário pediu demissão no dia de renovar contrato
O vereador Milton Nery (PROS) lembrou que o ex-secretário Felipe Thibes Galvão pediu demissão dois dias antes de fechar a renovação do contrato. Thibes contou, em entrevista ao Jornal Correio de Itapetininga, que a maternidade e o Pronto Socorro apresentam problemas sérios. “É uma declaração grave. A renovação com aumento do valor é questionável”, diz Nery.
Na avaliação do parlamentar, a prefeitura e o São Camilo precisam apresentar as medidas para melhorar o atendimento médico nos dois setores. No acordo anterior, o valor era de até R$ 3 milhões mensais. Mas em relação às outras duas entidades, o São Camilo também tem um preço superior. O Instituto Varti tinha contrato de R$ 2,5 milhões mensais que era maior que o próprio SAS, que cobrava R$ 1,8 milhão. “A situação vem se agravando”, ponderou.















