Camisa polo (normalmente em cores), jeans, tênis e um sorriso cordial compõem o visual esportivo despojado. Mas, a voz firme e o jeito incisivo de expor suas posições dão uma boa pista de como Zécaborba Soares Hungria, fundador há quase quarenta anos do hoje poderoso Pão de Mel, transformou a ideia de um simples armazém em grande e famosa rede de varejo, a única e genuína itapetiningana de fato, atualmente em parceria com a Ricoy, e tem suas lojas todas em franco desenvolvimento.
Nascido, nesta cidade, em 1938, de uma pequena e humilde família, hoje a rede emprega centenas de pessoas e encontra-se em vários pontos estratégicos do município.
Para alcançar o patamar atual, Zécaborba – como ele gosta auto de ser chamado – iniciou sua vida na famosa Rua Campos Ses como ilustrador de sapatos, nome pomposo em substituição a “limpar e passar graxa nos sapatos, tanto masculino como femimino”. Ela competia de igual para igual com outras existentes, como a do legendário Átila, na rua Monsenhor Soares – anexo ao cinema – de Joaquim Pereira na José Bonifácio ou a de Rubião, no Largo dos Amores. Ali em espaço razoável, com seis cadeiras, os meninos disputavam a freguesia. Dentre elas destacavam-se personalidades da época e o elegante e cavalheiro Vicente Martins de Mello – filho do professor Eliziário Martins de Mello – que melhor gratificava aquele que cuidasse melhor de seus confortáveis, valorizados e belos calçados, geralmente importados.
Aluno esforçado e disciplinado do curso primário da Escola de Aplicação da “Peixoto Gomide”, não esquece até hoje da professora que dirigia a classe: bondade e amor.
Therezinha Bastos, a “Mestra de seu coração” e a competência com Incursionou em sua movimentada trajetória de vida, em diversificadas atividades e sempre foi apaixonado pelo trabalho, preferindo o ramo comercial que outros setores, que ele também poderia exercer com competência e seriedade. Não à toa começou, em criança, apregoando pelas ruas da cidade a venda de jornais (de S. Paulo e Rio de Janeiro) fornecidos pelo legendário e folclórico Roque Albino, proprietário do estabelecimento de jornais, revistas e papelaria.
Aceitava qualquer encargo desde que conseguisse ganhar o suficiente para auxiliar no orçamento da casa de seus pais, o comerciante tipógrafo Arnaldo Soares Hungria e sua progenitora Ana Soares Hungria, pessoas de conduta das mais corretas e respeitadas.
Feirante, exercendo as atividades nas feiras-livres da Avenida Peixoto Gomide – onde até hoje lembra-se dos colegas da época, viajou por muito tempo, oferecendo produtos como uvas produzidas em Capão Bonito, chapéus de palha e de nylon, sabão em pedra – fabricado por seu tio Flávio Soares Hungria – cereais em geral e feijão, inclusive montando uma fábrica de caixão, funcionando no Largo da Santa Casa e uma garaparia, na rua Monsenhor Soares. Percorreu quase toda região sudoeste e alguns Estados brasileiros. Não esquece jamais de seus auxiliares (verdadeiros amigos que compartilharam com ele das viagens que empreendia comercializar os produtos). Neste período de sua existência trabalhosa, árdua, mas agradável, passou por situações críticas e engraçadas, conquistando novas amizades que conserva até a presente data. Teve também a imensa satisfação, com seu inesquecível amigo Jamie, conhecer o grande, quase mito, e famoso Ministro Nelson Hungria, jurista, “personalidade despojada de empáfia e orgulho”, e simples como qualquer mortal.
O inicio de seu empreendimento foi em um box no Mercado, próximo ao “Correio”, onde teve a ajuda substanciosa de sua esposa Helena e depois a de seus filhos Dinho e Fernanda. Zécaborba carrega consigo o amor aos seus semelhantes, a humildade e o trabalho como símbolos de verdadeiro cidadão cristão. – Crônica do jornalista Alberto Isaac, publicada no Jornal Correio e em seu livro “Vivas Memórias”, em 2019, homenageando Borba e sua história.
Zecaborba Soares Hungria, faleceu neste sábado, dia 10 de janeiro, aos 87 anos. Deixa a esposa Helena Munhoz Cardoso Hungria, e os filhos Fernanda e Arnaldo, além de genro, nora e netos. O sepultamento foi realizado, às 15h, no domingo, no Cemitério São João Batista e contou com a presença de familiares e centenas de amigos que prestaram sua homenagem.
















