Duas pessoas morreram na Rodovia Raposo Tavares, no mesmo dia em que o governo estadual negava em audiência pública a duplicação da estrada entre a Itapetininga até Ourinhos. Até mesmo o trecho até Angatuba não foi atendido, apesar dos constantes acidentes com vítimas fatais.
A audiência pública foi realizada na terça-feira, dia 25, em São Paulo, com pouca participação de moradores da região que são os interessados diretamente na obra. Na Câmara Municipal, a expectativa era que fosse feita no prédio do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) de Itapetininga, mas foi transferida para a sede do DER de São Paulo, distante 170 km.
O investimento inicial previsto subiu de R$ 410 milhões para R$ 726 milhões. Um aumento de 77% entre o projeto básico e o projeto executivo. O custo para melhorar a pista será de R$ 3,6 milhões por quilômetro. Por exemplo, a SPvias gastou R$ 216 milhões para duplicar 43 quilômetros entre Itapetininga até Araçoiaba da Serra. Um custo médio de R$ 5 milhões.
Serão 26,6 km duplicados, Pouco mais de 10% de toda a pista que possui 214 quilômetros entre Ourinhos e Itapetininga.
O vereador Itamar Martins (PRB) afirmou que “o mais grave é que o governo estadual tem pouco interesse no caso”, reclam o vereador. “Vai se gastar todo esse dinheirão para não duplicar. É um absurdo”, protesta.
Itamar também considerou uma diferença muita alta entre a primeira estimativa de custo da obra e o segundo orçamento. No mínimo teriam que explicar porque mudou tanto”, disse o vereador. Questionado em outra reportagem, o DER explicou que o primeiro valor é referente ao projeto básico e o segundo foi referente ao projeto executivo em que foram acrescidas diversas mudanças, com acessos, rotatórias para garantir segurança aos usuários.
Novo adiamento
Na audiência, outra notícia que já se esperava: um novo adiamento da publicação do edital. Isso ocorre pela 9ª vez, desde que a obra foi prometida em janeiro de 2012, em Angatuba. Os prazos informados foram passados pelo governo estadual e pelo DER em reportagens feitas ao longo desse tempo. A partir do lançamento do edital há um prazo médio de quatro meses para conhecer a empresa vencedora da licitação e o início efetivo da obra.
DER defende projeto apresentado
O DER informou, por e-mail, que durante a audiência pública foi esclarecido quais trechos teriam as pistas duplicadas. “A duplicação seria justificável apenas nos trechos com intensa urbanização, alto volume de tráfego, circulação de caminhões e trechos de aclive ou declive intenso”, escreveram os técnicos do DER. O e-mail também informa que nos demais trechos em que há o trafego de caminhões, mas com Volume Médio Diário (VDM) menor, o sistema de pistas em multivias com duas faixas de tráfego para cada sentido “atenderá a necessidade de aumento da capacidade de tráfego e maior segurança dos usuários.”
Além disso, segundo ainda o DER, o sistema multivias foi projetado para que futuramente, na expansão do VDM, a pista possa ser duplicada, com a implantação de barreiras new Jersey, a exemplo de outras rodovias. Não foi informada qual é a extensão desses trechos multivas.
Porém, o VDM publicado pelo DER da estrada aponta que a duplicação já se faz necessária. Em 2011, eram 6.249 veículos por dia no trecho entre Angatuba e Itapetininga. Em 2012, segundo o próprio DER, o volume subiu para 8.637 veículos por dia. Um ano depois, 9.069 entre carros de passeio e comercial. Em 2015, conforme o órgão estadual, atingiu 9.611.
O deputado estadual Ricardo Madaleno (PR), que comanda a Frente Parlamentar pela Duplicação da Raposo, reclamou da obra não atender o pedido da região que pede a duplicação de toda a pista. “Não haverá a duplicação que é necessidade da pista devido ao alto volume de veículos que nós temos nessa rodovia.”
Ainda conforme o órgão, de Itapetininga a Itaí serão sete trechos de duplicação que somam 26,6 km, enquanto o restante, mais de 100 quilômetros, será de terceira faixa. A obra também prevê recuperação da pista e dos acostamentos, acessos, retornos, rotatórias, além de melhorias na sinalização.















