Mônica Chirosa
“Transitar pelas ruas da cidade e frequentar locais públicos, como bancos, teatros, lojas, bares e restaurantes é tarefa praticamente impossível para os deficientes físicos da cidade”, comentou Etson Brun, que é deficiente visual e presidente da Associação para Promoção e Inclusão Social de Deficientes de Itapetininga (Aprisdefi). Ele também realiza passagens e aplicações de acupuntura e considera de extrema importância uma compreensão maior da sociedade para com os deficientes, para que eles possam trabalhar e viver em harmonia com mais pessoas.
Os transportes públicos são precários e as ruas e calçadas inadequadas para os deficientes se locomoverem. “Não há como dar o mundo para os deficientes, mas é preciso cobrar das autoridades que as leis sejam cumpridas e exijam que se cumpram normas estipuladas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (Abnt)”, diz ele.
Valdira de Morais Bodo Reis Rossini, é mãe de Juliana Bodo Rossini, de 20 anos, que é portadora de deficiência e conta poucos comércios e instituições dispõem de rampas ou elevadores, e isso dificulta bastante o acesso. “No fim do ano fui com a minha filha a uma loja, onde os brinquedos ficavam no 2° andar e não pude levá-la para escolher o presente”, lembra Valdira. Outra reclamação vem dos que frequentam o supermercado anexo ao shopping, pois ele não conta com rampa de acesso, apenas escada. “Toda vez que vamos ao supermercado e queremos ir ao shopping, temos que passar pela chuva, pelo sol e até pelo frio para ir ao local”. Isto é falta de respeito, desabafa a mãe.
A Campanha da Fraternidade da Igreja Católica deste ano diz respeito a inclusão social de pessoas especiais e conta com slogan “Levanta-te e Vem para o Meio”, quando convida todos os cidadãos a aceitar e conviver com os portadores de necessidades especiais.
Mesmo portando algum tipo de deficiência, seja ela de origem física, visual, auditiva ou mental, essa pessoa é um consumidor em potencial, que não é respeitado como cidadão, que pode ir e vir, e tem direitos e deveres como qualquer outro, lembra Etson.
Legislação
Algumas das exigências da Abnt são para que as portas tenham largura de 80cm; os degraus de rampas devem ter, no máximo, 1,5cm de altura. Segundo a lei, todas as calçadas devem conter rampas para acesso de deficientes, além de educação no trânsito. “Hoje o pedestre normal não é respeitado, imagina como são tratados os deficientes, que são mais lentos em seus movimentos”, argumenta Etson.
De acordo com a lei municipal n. 4.796, de 4 de novembro de 2003, todos os estabelecimentos comerciais devem dar atendimento prioritário e preferencial a todos os portadores de deficiência física.
O prazo para que todo o país adapte-se à nova lei vence em 30 de junho de 2007 e após este prazo as empresas, instituições ou entidades que não cumprirem as determina ações para a inclusão de deficientes, serão punidas com pesadas multas.
“A lei municipal em vigor é fraca, antiquada, e não existe exigência nem fiscalização para que seja cumprida”, acrescenta o presidente da Aprisdefi. “Existe hoje um grupo de empresas, instituições, promotores e entidades, trabalhando para que a atual lei seja modificada e para que atenda realmente as necessidades dos portadores de deficiências”, finaliza ele.
1° Simpósio da Acessibilidade
De 17 a 20 de maio, será realizado no Sesi o 1° Simpósio de Acessibilidade, tratando de Prevenção e Pré-natal: Tecnologia Assistiva e Acessibilidade. O evento será realizado pela Aprisdefi, e contará com a presença do promotor da Infância e Juventude e profissionais ligados ao assunto, que ministrarão palestras.
Hoje as empresas abrem uma vaga para deficientes, mas querem uma pessoa que tenha falta de um ou dois dedos, para que possa efetuar trabalhos como serviços gerais. É preciso que a sociedade, como um todo, se una e realmente capacite os jovens deficientes para que eles atuem brilhantemente no mercado de trabalho, a exemplo de muitos que existem hoje, produzindo em todo o país, nas mais diversas áreas.















