Filho de um dos sócios mais antigos da Associação Atlética de Itapetininga (AAI), o empresário Costabile Matarazzo Júnior, questiona a alienação de uma área do clube para a construção de dois prédios. Durante assembleia realizada no último domingo, dia 24, os associados decidiram ceder uma área de 4,4 mil m² para e um empreendimento imobiliário. Em troca, o clube receberá 10 apartamentos e a construtora quitará a dívida da entidade com a prefeitura de cerca de R$ 200 mil e fará melhorias no local.
Matarazzo, que também é presidente do Sindicato Comércio Varejista Itapetininga e Região (Sincomércio), afirma que há vários pontos negativos na iniciativa da presidência da AAI. Ele alega que a área do clube, de mais de 12 mil m², está numa das regiões residenciais mais privilegiadas e valorizadas da cidade. “Acreditamos que para alienação de toda a área, o valor do metro quadrado deve passar de R$ 2 mil, posto que lotes para o programa Minha Casa Minha Vida em bairros afastados do Centro da cidade estão sendo negociados a R$ 400 o metro quadrado”, afirma.
Ele sugere que a discussão seja mais ampla. “Os associados não são proprietários, mas sim usuários. Esse patrimônio não pertence somente a esses poucos sócios, mas, em respeito às antigas diretorias, pertence ao povo de Itapetininga que pode dar uma finalidade mais nobre ao referido patrimônio”. Alega inclusive que poderia ser feita uma parceria com o Clube Venâncio Ayres, sem necessidade de alienação do patrimônio.
Ele critica a gestão do clube. “Diretorias até agora não tiveram capacidade de gerir o patrimônio. O usuário paga apenas R$ 40 por mês e há uma dívida de R$ 200 mil com a prefeitura” afirma. Também propõe que caso queiram alienar a área, que façam no seu todo e que o resultado de tal venda seja revertido para construções de imóveis nas entidades assistenciais da cidade, como por exemplo a Sociedade São Vicente de Paula ou a Associação Rainha da Paz (Anspaz).
Outro ponto citado por Costabile Matarazzo Jr. é verificar se as instituições que alienaram quase a totalidade de seus patrimônios estão numa situação econômica mais favorável hoje e se isso foi útil para a sociedade itapetiningana. “Tomei conhecimento que o antigo estatuto do clube previa que ao seu término, os bens em posse da instituição seriam transferidos a uma instituição social beneficente” finalizou.
Outro lado
Segundo o vice-presidente da AAI, Gilson Rebouças Conegundes, a ideia de cessão da área foi aprovada por votação neste domingo, mas o negócio ainda não está fechado. “Estamos agora discutindo pontos com a construtora”, afirma. O empreendimento ocupará cerca de 30% da área total do clube, onde hoje está a piscina, um salão de festa e um campo de futebol society. Os apartamentos custarão, em média R$ 350 mil. Para ele, a decisão é positiva e deve ajudar o clube a se reerguer.
“Além disso, está na proposta a construção de uma arquibancada para 700 pessoas, um salão de eventos e novos vestiários”, explica. A ideia, segundo ele, é alugar os apartamentos. “Não poderá ser usufruído por sócio, nem presidente e diretor. Os apartamentos serão alugados e a renda cairá nos cofres do clube”, afirma.
A AAI foi fundada em 11 de agosto de 1931 por alunos da Escola Peixoto Gomide e da Escola de Farmácia e Odontologia. Participou do futebol profissional na década de 60. Começou disputando o Campeonato Paulista da 4ª Divisão (atual Série B) de 1960. Depois esteve presente no Paulistão da 3ª Divisão (atual Série A-3) de 1961 e 1962. Hoje, disputa campeonatos amadores na região e mantém equipe de veteranos e máster















