O Centro Cultural e Histórico “Brasílio Ayres de Aguirre”, localizado no Largo dos Amores, e um dos principais patrimônios históricos de Itapetininga, permanece fechado ao público desde janeiro de 2024 e até o momento não há uma data definida para a reabertura.
Segundo a Prefeitura de Itapetininga, o fechamento ocorreu por determinação do Ministério Público para a implementação de normas de acessibilidade. A administração municipal informou ainda que decidiu aproveitar o período para iniciar um processo de restauro integral do edifício, respeitando as diretrizes de tombamento do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).
De acordo com o Executivo, foi concluído um diagnóstico técnico detalhado que apontou que a estrutura do prédio está estável e não apresenta risco de colapso. A próxima etapa prevê a correção de patologias específicas e o saneamento de danos provocados pelo tempo, com foco na preservação de longo prazo do imóvel.
Na fachada do prédio, é possível observar sinais de deterioração, como rachaduras nas paredes externas e partes da estrutura visivelmente danificadas.

A Prefeitura destacou que se trata do primeiro processo de restauração científica estruturada do prédio, que funcionou historicamente como Casa de Câmara e Cadeia.
A falta de uma previsão de reabertura tem gerado reclamações de moradores e frequentadores. “Faz tempo que está fechado e ninguém explica nada. A gente passa ali e não vê obra, não vê placa, não vê nada”, diz o pedreiro José Carlos, de 52 anos.
A dona de casa Patrícia também critica a paralisação do espaço. “Eu acho um desperdício. Um prédio desse tamanho, histórico, parado desse jeito. Poderia estar sendo usado pra tanta coisa”, comenta.
Para o aposentado Ronaldo, o impacto é perceptível no dia a dia. “Antes sempre tinha alguma coisa pra ver, exposição, evento. Agora é só porta fechada. Dá até desânimo.”
Entre os mais jovens, o fechamento prolongado tem impedido até o primeiro contato com o espaço. A estudante Larissa Gomes, de 17 anos, conta que nunca conseguiu visitar o Centro Cultural. “Sempre ouvi falar, mas quando fui procurar, já estava fechado. Parece que nunca abre.”
A professora Rosângela destaca que a situação vai além da estrutura física, e reforça o valor simbólico do imóvel. “É um patrimônio da cidade, não é qualquer prédio. A sensação que dá é de abandono porque parece caindo aos pedaços e ninguém sabe quando vai reabrir.”
Nas redes sociais, as reclamações também se intensificam. Um internauta relembrou o período em que o espaço era mais ativo culturalmente. “Era muito legal! As reuniões para assistir alguma peça, alguma exposição e encontrar os amigos, conversar, conhecer pessoas com o mesmo gosto. Eu me sentia numa cidade muito cultural! Teve uns anos que foi assim. Uma grande pena estar fechado. A praça dele ainda é um local cultural, onde acontece o Carnaval, festival do boteco, as batalhas de rimas. Poxa… cadê o secretário de cultura?”, questionou.
Outro comentário aponta críticas mais amplas à política de preservação da cidade. “A realidade é apenas uma: Itapetininga não tem investimento de preservação histórica, ambiental ou social. A cidade vive de um futuro que ainda não é realidade e esquece do próprio passado, troca a gestão, mas nada é feito.”
Há ainda quem classifique a situação como “verdadeiro absurdo” diante do valor histórico do prédio.
Em resposta, a Prefeitura informou que está na fase final dos trâmites preliminares para viabilizar a restauração. O processo de captação de recursos deve começar em fevereiro deste ano, com expectativa de implantação do canteiro de obras no segundo semestre do ano. A previsão de reabertura, segundo a administração, só poderá ser definida após a apresentação do cronograma oficial de obras.
Sobre o acervo histórico, o Executivo esclareceu que todo o material está preservado na Casa de Cultura, localizada na Rua Benjamin Constant, nº 327, onde permanece montado e aberto à visitação pública de forma temporária.
Após a reabertura, a Prefeitura afirma que o prédio deverá funcionar como um espaço cultural multifuncional, conciliando a preservação da memória histórica com uma programação de eventos e atividades culturais.
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