A capacidade de investimento da Prefeitura de Itapetininga apresentou queda nos últimos dez anos, segundo dados do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF). O indicador recuou de 0,42 em 2014 para 0,19 em 2024, fazendo com que o município passasse a integrar a faixa crítica do levantamento, a pior classificação da metodologia. Apesar da piora nesse e em outros indicadores, a cidade manteve o enquadramento geral de “Boa Gestão Fiscal”, embora sua nota total tenha caído de 0,78 para 0,65 no período.
O IFGF avalia a situação fiscal dos municípios brasileiros a partir de quatro indicadores: autonomia, gastos com pessoal, investimentos e liquidez. A pontuação varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho.
As maiores quedas em Itapetininga foram registradas nos indicadores de investimentos e liquidez. O índice de investimentos caiu de 0,42 para 0,19 entre 2014 e 2024, enquanto a liquidez, que mede a capacidade do município de honrar compromissos financeiros com os recursos disponíveis em caixa, recuou de 0,72 para 0,43, permanecendo na faixa de dificuldade.

Na comparação regional, os melhores resultados no indicador de investimentos foram registrados por Sarapuí, com nota máxima de 1, e Capão Bonito, com 0,96, ambos enquadrados na categoria de excelência.
Apesar da queda na nota geral, Itapetininga manteve desempenho máximo no indicador de autonomia, que mede a capacidade de financiar sua estrutura administrativa com receitas próprias. O município registrou nota 1 tanto em 2014 quanto em 2024.
O indicador de gastos com pessoal também permaneceu em patamar elevado. A nota ficou em 0,97 nos dois períodos analisados, mantendo-se na faixa de excelência.
No ranking regional do índice geral, Itapetininga ficou atrás de municípios como Capão Bonito (0,88), Sarapuí (0,80), Araçoiaba da Serra (0,79) e Capela do Alto (0,78).

Em nota, a Prefeitura não comentou especificamente a queda dos indicadores de investimentos e liquidez apontada pelo IFGF, nem detalhou os fatores que levaram à redução da nota geral do município no levantamento.
A administração municipal destacou investimentos em andamento e previstos para a cidade, entre eles o Hospital Regional do Vale São Fernando e a nova escola do bairro Taboãozinho, ambos financiados pelo Governo do Estado.
A Prefeitura também citou a construção de unidades de saúde nos bairros Pacaembu, Pinheiros e Genefredo Monteiro, além de obras de pavimentação realizadas no município. Segundo o Executivo, os investimentos realizados nos últimos anos geram benefícios diretos para a população, ainda que nem todos sejam necessariamente refletidos nos indicadores utilizados pelo IFGF.
Como funciona o índice
O IFGF é elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e tem com base em dados oficiais das contas municipais e analisa quatro áreas:
- Autonomia: capacidade de o município financiar sua estrutura administrativa com receitas próprias;
- Gastos com pessoal: relação entre despesas com servidores e a Receita Corrente Líquida;
- Liquidez: capacidade de honrar compromissos financeiros com recursos disponíveis em caixa;
- Investimentos: parcela das receitas destinada a investimentos públicos.
A classificação do índice é dividida em quatro faixas:
- Excelência: de 0,8 a 1,0;
- Boa gestão: de 0,6 a 0,8;
- Dificuldade: de 0,4 a 0,6;
- Crítica: abaixo de 0,4.
Na edição mais recente do estudo, foram analisados 5.129 municípios brasileiros. Segundo a Firjan, 36% das cidades do país ainda apresentam situação fiscal considerada difícil ou crítica.
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