Somente em 2017, a Delegacia de Defesa da Mulher de Itapetininga registrou 359 pedidos de medida protetiva contra homens, o que dá uma média de 1,69 pedidos de medida protetiva por dia. Além disso, a cidade registrou 436 casos de violência doméstica este ano. Segundo a delegada responsável, Leila Tardelli, as medidas mais solicitadas em Itapetininga são as de proibição de aproximação da vítima e de retirada do agressor do lar.
Para a cientista social, Thais Maria Souto Vieira, a violência doméstica é analisada segundo as raízes do patriarcado. “Culturalmente, a mulher sempre esteve destinada ao espaço privado, ou seja, da casa. E o homem é destinado à conquista e ao domínio do espaço público. A partir desse momento que a mulher só tem visibilidade dentro do espaço privado, nessa cultura patriarcal, o homem acredita que ali dentro tudo é possível. Então ele estabelece essa relação de dominação, de superioridade e faz uso da força física, isso é legitimado e acaba caindo no senso comum de que isso é permitido. Já que acontece dentro do espaço privado há aquele velho ditado ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’ e é totalmente errado”, explica.
Segundo o Mapa da Violência de 2015, 50,3% dos homicídios de mulheres foram cometidos por familiares, parceiros ou ex-parceiros. Para a Delegada Leila Tardelli, a violência é sempre progressiva e tem como início a agressão psicológica e termina em agressões físicas ou até mesmo a morte da vítima. Ainda de acordo com o Mapa da Violência, com uma taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres, o Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações.
“É muito difícil para a mulher que está vivendo uma situação de violência doméstica porque existe a questão afetiva e porque o cara que está batendo nela é o cara que ela ama. Parece uma incoerência, mas envolve muitas questões psicológicas, pessoais e afetivas, por isso que romper esse ciclo de violência as vezes demora um tempo”, comenta Thais Maria.
Outro fator reclamado por vítimas é a falta de apoio na hora da denúncia e o desencorajamento da mulher nas delegacias: “Acho que é o medo de constatar que essa situação realmente existe. Infelizmente nós temos ainda muito a caminhar, o Estado, especialmente, precisa oferecer segurança à mulher para que ela possa denunciar”, relata a Delegada de Defesa da Mulher.
A cientista social, por sua vez, explica que as denúncias são importantes porque o registro da violência gera dados para criar políticas públicas eficazes de combate à violência contra a mulher.
Leila Tardelli esclarece que, para denunciar violência doméstica, a mulher pode ir à Delegacia de Defesa da Mulher de Itapetininga, localizada na Rua Higino Rolim Rosa, 81, Vila Rosa. A mulher pode também fazer a denúncia por meio do número 180 e pode procurar acompanhamento psicológico para receber orientações. “Aqui especialmente na Delegacia de Defesa da Mulher ela tem um atendimento diferente porque nós só trabalhamos, praticamente, com essas situações. Se ela vier à Delegacia é o melhor lugar para se orientar, para entender e solicitar as medidas necessárias”, relata Leila Tardelli.
A cientista social explica que a solução é a mudança da forma com que as pessoas e crianças são educadas. Para Thais Maria, a discussão dos problemas de violência com as crianças e adolescentes é uma forma de evitar que os números aumentem. “A longo prazo é só por meio da educação. Então você educar seu filho de uma maneira não machista em que ele respeite as mulheres, que ele saiba que não é não, que o corpo da mulher é da mulher e não é dele, que ele não tem que colocar a mão, que ele não tem que assobiar ou fazer cantada e que o trabalho doméstico seja dividido. Eu percebo que as novas gerações, mesmo que a passos lentos, estão enxergando algumas coisas de maneira diferente e acho que a longo prazo isso pode ter um impacto positivo”, conclui Thais Maria Souto Vieira.
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