O padre Reynaldo Machado pede a interdição da rua Venâncio Ayres, no trecho em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Centro da cidade, para conter as rachaduras que têm tomado conta da estrutura do templo. Segundo ele, o movimento de carros e veículos pesados é um dos fatores que podem estar danificando paredes e pilares do prédio que foi reformado recentemente. A Igreja do Rosário foi inaugurada em 1873 e declarada de interesse histórico pelo patrimônio municipal.
A ideia de integrar a igreja à praça, segundo o padre, tem sido discutida há meses pela comunidade. “Queremos preservar o prédio e também garantir a segurança das pessoas”, afirmou o padre que aguarda o resultado de um laudo de engenharia encomendado por ele para analisar o impacto do tráfego de veículos na estrutura da igreja. “Já conversamos com os vizinhos e todos eles estão de acordo com a mudança. Também falei com a prefeita, mas agora vamos aguardar o laudo e iniciar um abaixo-assinado”, diz o padre.
Ele afirma que o fechamento da rua não trará transtorno no trânsito da estreita rua Venâncio Ayres. Ele explica que apenas o trecho em frente será fechado e os veículos que quiserem permanecer na via farão o contorno na praça pelas ruas Higino Rolim Rosa, Monsenhor Soares e Coronel Glicério que passarão por uma pequena readequação.
De acordo com o padre, a igreja é a mais antiga em pé hoje na cidade, por isso considera o fechamento importante para a preservação histórica e cultural da cidade. “Foi construída por escravos e é o prédio mais antigo em pé hoje na cidade”, disse. Segundo ele, a igreja foi reformada recentemente e receberá pintura em breve. “Todo o interior da igreja foi reformado e agora vamos reformar a parte externa e também pintar”, disse o padre. Ele afirma que uma nova cor deve substituir o azul que hoje dá cor ao templo. A prefeitura ainda não se posicionou sobre o assunto.
Igreja era frequentada
por escravos
Segundo o professor e historiador Carlos Fidêncio, em seu livro “Itapetininga Ontem-Hoje”, a igreja do Rosário foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1873. Segundo ele, o prédio foi construído com esmolas arrecadadas por Antônio Florêncio de Azevedo, o “Mestre Florêncio”.
De acordo com o historiador José Luiz Nogueira, em seu primeiros tempos, a igreja era frequentada por brancos e escravos. O problema é que os negros só podiam transitar pela parte inferior das galerias, sendo-lhes negado o acesso à nave do tempo. Anos mais tarde, após a libertação dos escravos e da construção da Igreja da Matriz, os brancos mudara-se para esta última, deixando a Igreja do Rosário para os negros.















