A gestão anterior reduziu em 30% o atendimento médico nas unidades básicas de saúde. Segundo informações oficiais, em janeiro de 2013, primeiro mês do governo Di Fiori (PSDB), foram realizadas 36.822 consultas médicas e enfermagem. Em janeiro de 2015, o número caiu para 24.336 consultas. Portanto, quase 12 mil pessoas por mês deixaram de receber atenção médica. “A saúde pública municipal está desestruturada”, afirma o novo secretário de Saúde, Fábio Nascimento.
O número é compatível com a realidade, acrescenta Nascimento. Desde o rompimento com o Instituto Vida, em setembro de 2013, a saúde pública vive ainda os reflexos daquela medida. “São efeitos indesejáveis que são difíceis de consertar e nunca conseguiu restabelecer” a normalidade. “Parcela significativa dos profissionais era contratada pela entidade. Cerca de 50% eram contratados pela ONG e 50% eram concursados”, explica.
De acordo com o secretário, houve uma acomodação do poder público que diante da necessidade de mão de obra recorria a ONG e adiava a abertura de concurso público. Depois do rompimento, os agendamentos de consultas dos pacientes passaram a ser mensais. Ele conta que agora é uma vez por semana, mas está longe do ideal.
“Há uma odisseia para agendar a consulta. As pessoas ficam fragilizadas, chegam às 4h da madrugada para conseguir agendar. E muitas vezes não conseguem. Mas o que acontece: uma vez por semana, começam formar a fila na porta do posto de saúde. Pessoas começam a chegar de madrugada na ânsia de pegar um lugar bom na fila e conseguir a sua vaga. Tem aquela imagem que tudo que você não quer. São pessoas idosas, mães com criança no colo e com problemas sociais. E muitas vezes, para chegar lá e não conseguir a consulta”, relata o secretário.
Agenda livre
“É uma rotina perversa. Houve um retrocesso”, reconhece o secretário de Saúde. Ele explica que o município restabeleceu o Pronto Atendimento (na Vila Rio Branco e no Jardim Mesquita) durante a noite e possui os programas de saúde das unidades. Porém, não consegue atendimento clínico de médicos com agendas livres.
“São pacientes que não se encaixam nem em pronto atendimento e também não se enquadram nos programas.” São pacientes que enfrentam problemas de saúde, mas que precisam de atenção da rede pública. “Este é o grande gargalo. Não dá para não enxergar isso”, revela.
Para resolver a situação, ele explica que os médicos têm jornada mínima de 50 horas mês e máxima de 100 horas. “Mas poucos atuam no teto.” Além disso, médico é apenas um aspecto. Tem que fortalecer as equipes multiprofissionais, com enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, dentistas, entre outros,e equipes administrativas.
Uma década
A segunda fase do Hospital Regional já se arrasta há quase 10 anos, informou o secretário de Saúde. Segundo informações, os primeiros repasses ocorrem em 2005. “Foi uma década”, conta. “O Estado está descontente”, revelou, sobre o atraso na entrega da obra que permitiria oferecer UTI Neonatal para toda a região. A edificação está pronta, mas faltam equipamentos de climatização. A previsão é que fique pronto em março de 2016, já que os aparelhos são importados.
Hospital Regional
O secretário também informou que pretende mudar o perfil de atendimento do Hospital Regional. Com o repasse de R$ 1,4 milhão, o Estado sinalizou da necessidade da realização de cirurgias eletivas. “Há filas de cirurgias de hérnias e de varizes no município e na região.” O receio do secretário é que o Estado reduza a transferência e procure outro hospital da região para o atendimento de cirurgias eletivas.
Outro problema é que a Secretaria Municipal de Saúde não aprovou as contas apresentadas pelo São Camilo do Hospital Regional. Para solucionar o atraso de sete meses, uma equipe montada pela secretaria realiza a apuração das prestações para que sejam entregues o mais rápido possível. “Em um mês deve ser colocado em dia”, avalia.















