Nos últimos anos, Itapetininga tem registrado um aumento na produção literária, com novos autores e lançamentos que reforçam a atuação de escritores locais no mercado editorial. São obras que vão de romances históricos a pesquisas sobre a memória da cidade, muitas delas viabilizadas por leis de incentivo. O reflexo desse movimento pôde ser visto na 2ª Feira Literária da Academia Itapetiningana de Letras, realizada em 8 de novembro, que reuniu autores e marcou o lançamento de quatro novos livros.
Para a escritora, artista plástica e integrante da AIL, Walkiria Paunovic, o crescimento está diretamente ligado às políticas culturais. Beneficiada pela Aldir Blanc, ela lançou em 2024 o livro “Museu Carlos Ayres e sua história” e destaca que feiras e mostras literárias ajudam a fortalecer e dar visibilidade à produção da cidade. “Nesta edição, por exemplo, 30 escritores estavam presentes”.
Políticas de incentivo
De acordo com Prefeitura, atualmente oito projetos de escrita, com foco específico na leitura e literatura, foram contemplados por meio de recursos da Lei Aldir Blanc em Itapetininga.
Essa política de incentivo começou a render resultados já há alguns anos. Em 2021, dois livros foram lançados com apoio da Aldir Blanc, resgatando aspectos fundamentais da história local. Um deles foi “O Legado da Estrada de Ferro Sorocabana em Itapetininga”, do arquiteto Igor Matheus Santana Chaves, resultado de oito anos de pesquisa e repleto de mapas, fotos, documentos e registros inéditos sobre a importância da ferrovia na formação urbana e econômica do município e região.
No mesmo período, o pesquisador Lucas Afonso publicou a obra “Como a Industrialização se torna Pauta Política?” que analisou a expansão industrial da cidade entre as décadas de 1960 e 1980, destacando o papel de grupos políticos e decisões que moldaram a configuração econômica de Itapetininga como se conhece hoje.
Formação de leitores e novas vozes
O escritor, professor de escrita criativa e roteirista José Augusto Barros acredita que a ampliação de projetos, leis de incentivo e eventos literários contribuem para renovar o cenário cultural local. Para ele, o surgimento de novos autores, somado à publicação de obras, fortalece o debate cultural na cidade e na região. “Leis de fomento cultural e mostras literárias são fundamentais para lançamentos de livros”, destaca.
Barros é autor do livro de contos ilustrados “Obscurum – As Faces do Sol”, que transita por gêneros como terror, ficção científica, fantasia e noir.
Livro como objeto lúdico
Durante a Feira da AIL, a cantora e compositora Kátia Baroni publicou o seu quinto livro, contemplado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), uma coletânea de poesias infantis intitulado “Poesia em Pote”. Ela explica que a obra estimula a curiosidade das crianças, já que as poesias estão ludicamente dentro de um pote, e os leitores poderão “brincar” com as palavras.
A autora ficou feliz com a promoção da mostra literária pela Casa Kennedy, reiterando a necessidade de eventos como esse para a fundição da arte literária no município. “Infelizmente essas iniciativas ainda estão partindo somente do poder privado e acredito que deveria ser difundida pelo poder público também”. Baroni também contou que algumas das poesias já estão virando música pelo poder de chegar com mais facilidade às crianças.
Novos autores
Também no evento da AIL, o advogado previdenciário Pedro Villaça, de 28 anos, apresentou seu primeiro livro “Padre João e o Silêncio dos Ossos”, um thriller psicológico sobre um padre, ex-investigador, que se depara anos após deixar a polícia com casos de um assassino em série que ele nunca conseguiu prender.
Para o novo escritor, o aumento da literatura itapetiningana se deve ao maior engajamento da população em assuntos culturais. Villaça acredita que as pessoas da cidade estão muito mais envolvidas com questões políticas e da arte, e consequentemente desenvolvem a escrita e o interesse pela literatura. “Eu sinto muita esperança na produção literária municipal”, declara.
Entre esses novos nomes também está Alexandre Alapone, educador natural de Itapetininga que publicou neste ano seu primeiro livro, o romance “Toni & Rita em 1975”. Ambientado em boa parte na cidade, o livro revisita memórias, espaços e referências locais para contar a história de uma mulher que enfrenta o preconceito, a rejeição familiar e os limites sociais da década de 1970.
Outras publicações
Em agosto deste ano, a escritora Aparecida Vines apresentou seu segundo livro, Cartas para Dorset. Após mais de seis anos de pesquisa, a autora reconstrói parte da trajetória de seus antepassados entre o Vale do Ribeira e a Inglaterra. A publicação segue a repercussão de seu primeiro romance, Entre Ingás e Framboesas, e reafirma o envolvimento da autora com narrativas de memória familiar e reconstrução histórica.
Livro conquistas do tradicional Casi
No campo da pesquisa esportiva, o escritor Cícero Vaz de Almeida lançou “Casi quem tem História Conta”, dando continuidade ao trabalho iniciado em “CASI – 75 anos”, no qual resgata a trajetória do Clube Atlético Sorocabana e seu papel no futebol local. O livro busca preservar relatos, memórias e transformações do esporte na cidade, além de destacar a relevância cultural do clube para diferentes gerações.
Obras resgata a importância do tropeirismo
Também dedicado ao resgate histórico, Alba Luisi publicou “Trilhas e Tropas”, obra que detalha o papel do tropeirismo no desenvolvimento regional e sua influência econômica e cultural no Estado de São Paulo. Resultado de anos de pesquisa, o livro reúne documentos, ilustrações e análises que posicionam Itapetininga dentro de uma narrativa mais ampla sobre a formação do interior paulista.
Memória local é celebrada em literatura itapetiningana
No próximo dia 27, será lançado o livro “Itapetininga: Entre Memórias e Registros”, escrito pelo professor Milton Cardoso, com narrativas inéditas de personagens, fatos, curiosidades e momentos históricos da cidade. O lançamento será realizado no auditório da Fundação Karning Bazarian (FKB), às 9h.
O projeto é um dos contemplados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura, e conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Itapetininga.
As histórias apresentam costumes e expressões culturais, resgatam também elementos do cotidiano urbano e rural, manifestações artísticas e a religiosidade dos munícipes. Milton conta que a obra contribui essencialmente para reconstruir a trajetória da cidade, ampliando o patrimônio cultura e destacando acontecimentos que moldaram a identidade de Itapetininga.
Próxima mostra de livros
No sábado, 29 de novembro, das 10h às 18h, a Faculdade Anhanguera promoverá no Itapê Shopping uma feira literária com apresentação de livros de autores itapetininganos durante o evento “RPG Aventure-se’.
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