A Banalização

Na década de 1960, bem no final, creio eu, foi editado o livro: “Português ao Alcance de Todos”. Foi escrito pelo Prof. Nélson Custódio de Oliveira. Fiquei sabendo, na época, que o autor era militar e alguns diziam que era General. Confesso que gostei do livro e li e reli tal obra e algumas frases, citadas pelo autor, ficaram gravadas no meu cérebro. Cheguei, até mesmo, a me identificar com algumas delas. Na página oitenta e uma, havia alguns exercícios de análise sintática e exigia que o educando copiasse o período, deixando uma ou duas linhas em branco. O aluno deveria usar uma régua ou esquadro para sublinhar os verbos e os conectivos. No final, o professor afirmava que o trabalho ficaria bonito e certo. Havia muitas minúcias.

Um período para ser analisado era este: “ O Colégio Militar iluminou o meu cérebro, traçou a minha profissão e encheu a minha vida”. Parafraseando o militar, num solilóquio, eu dizia: “O Seminário Presbiteriano Conservador iluminou o meu cérebro, traçou a minha carreira religiosa e encheu a minha vida”. Passei a minha adolescência no Seminário e até hoje não consigo me desligar daquela vida “monástica”. Até hoje sinto as badaladas do sino para acordar, para estudar, para tomar as refeições e para dormir. Tudo era metódico. A disciplina era rígida. Na parte da manhã, antes de tomar o café, havia a hora da devoção. Depois, antes das aulas, havia o culto. Havia o horário do almoço e mais aulas. Havia, antes do pôr do Sol, Educação Física. Depois havia o jantar e mais oração, hinos de louvor, leitura bíblica e a homília, encerrando tudo com o Pai Nosso. Tudo bem cronometrado, pois o seminarista tinha que se preparar para as aulas do dia seguinte. Por fim, às vinte e uma horas e trinta minutos tinha que se preparar para dormir e às vinte e duas horas o sino badalava mais uma vez e as luzes se apagavam. Depois de muitos anos, o sino foi substituído por uma campainha. Começou a modernização.

Pois bem, lembro-me que na minha igreja da minha infância, no dia da Santa Ceia, a mesa ficava mais bem arrumada e com toalhas bem brancas, branquíssimas. Os Reverendos, Armando Pinto de Oliveira, pastor titular e Francisco Augusto Pereira Junior, emérito, sentavam à mesa e a cerimônia começava com oração, depois leitura bíblica e a homília. O oficiante sempre dizia: A tua morte, Senhor Jesus, nós anunciamos, a tua ressurreição, proclamamos e a tua vinda nós esperamos. O povo sempre dizia: Vem, Senhor Jesus. Os diáconos, de um modo protocolar, tiravam a toalha que cobria os elementos: pão e vinho. A toalha era bem dobrada, colocada no lugar certo. O pastor pegava as bandejas, com os elementos sagrados, e entregava aos presbíteros e estes distribuíam o pão e o vinho aos membros da igreja. Depois, de um modo ordeiro, os presbíteros eram servidos pelo pastor, com as palavras de praxe: Tomai e comei, isto é o meu corpo que é partido por vós.

Com o tempo a cerimónia deixou de ser como era e eu pergunto, usando as palavras do meu Senhor Jesus que merece toda honra, toda glória e todo louvor: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra? ”

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