A batida diferente

Já escrevi nesse espaço que a televisão brasileira, de vez em quando (só de vez em quando!) nos propicia, musicalmente de momentos agradáveis. Foi o caso, no penúltimo domingo, onze, quando assisti no Canal Bis (560 na Sky) um programa gravado em 2005, patrocinado pela Petrobrás, duas horas de duração, Repitulos “Coisa mais linda – os casos e a história da bossa nova”, que como vocês sabem colocou novamente musica popular brasileira num pedestal frente a outras canções internacionais, no início da década de 1960 em diante. O programa em questão tem vários comentaristas principalmente os compositores e violonistas Carlinhos Lyra e Roberto Menescal, que mostram um Rio de Janeiro no final da década de 1950, durante o governo presidencial de Juscelino Kubitschek de Oliveira, um senhor otimista até a “medula” e que prometeu construir um novo Brasil.

Seu lema era que durante seu governo esse país iria progredir cinquenta anos em cinco (tempo do seu governo presidencial).
Se conseguiu esse fato, ainda não sabemos bem, mas seu exacerbado otimismo influenciou muitos setores dessa nação. No seu governo, “éramos uma pátria que dava passos largos para uma perfeita civilização”. Assim, ganhamos o Campeonato Mundial de Futebol de 1958, na Suécia; implantou-se a indústria automobilística na região do ABC, em São Paulo; surgiu o Cinema Novo Brasileiro com prêmios internacionais; nossas misses Brasil conquistavam ótimos lugares nos concursos de beleza; a tenista Maria Esther Bueno vencia em Wimbledon, na Inglaterra e entre outros méritos surgiu a bossa nova na música popular brasileira.

Bossa nova? É, foi assim que foi chamada quando um cantor baiano, de nome João Gilberto lançou um disco em 78 rotações, as “bolachas” como eram chamados, duas faces A e B consideradas primordiais, com ritmo de violão ainda não ouvido na canção popular desse país. As musicas eram de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, e títulos “Desafinado” e “Chega de saudade”. O modo do moço João Gilberto cantar e tocar seu violão mexeu com o mundo artístico nacional e críticos, principalmente no eixo Rio-São Paulo. Isto, no segundo semestre de 1958 (o chamado ano dourado). João Gilberto tocava num tom diferente de outros violonistas até então e entoava as músicas de maneira também diferente e modo suave, quase falando as letras, num compasso diferente dos vozeirões dos cantores da época. Ele chegava a ensaiar dezenas (e dezenas!) de vezes a mesma música, de maneira que o som e o dizer de cada palavra saísse perfeito. Segundo muitos críticos, tal disco foi um marco na música popular brasileira.

Mas, mesmo com essa revolução musical o cantar de João Gilberto continuava com a essência do samba. Só de uma nova compreensão o toque de instrumento como violão (sempre esse!), piano e bateria, entre outros. O termo bossa nova tem varias origens e uma dessas pode ser extraída da própria letra de “Desafinados”, no trecho que diz: – “isso é bossa nova, é muito natural…”.

E daí, ela, bossa nova, correu o mundo de tal maneira que o suprassumo cantor norte-americano Frank Sinatra, não resistindo gravou long play só com musicas de Tom Jobim. Outra sua canção “Garota de Ipanema” é a segunda mais ouvida em todo o mundo ocidental, só perdendo para os Beatles. E Tom Jobim disse: – “É, eu sou um só e eles são quatro”.

Aqui em Itapetininga, naquela época, o saudoso José Antônio Fogaça Galvão, então com 16 anos de idade (ele, irmão dos também saudosos Egberto e Carmem Fogaça Galvão Barreti) foi um exímio executor da bossa nova em seu privilegiado violão.

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