A época dos viajantes

A Literatura Brasileira, na época Quinhentista, é mais informativa. Pero Vaz de Caminha, na carta que endereçou ao Rei Dom Manuel sobre o achamento do Brasil, descreve como era o índio, nestes termos: “A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nisso tem tanta inocência, como tem em mostrar o rosto.”

Jean de Léry, em 1557, quando houve o primeiro culto protestante, assim se expressou: “Quanto à sua cor natural, apesar da região quente em que habitam, não são negros; são apenas morenos como os espanhóis ou os provençais. Coisa não menos estranha e difícil de crer para os que não os viram, é que andam todos, homens, mulheres e crianças, nus como ao saírem do ventre materno.”

Os principais autores do período são: Gabriel Soares de Souza, Pero de Magalhães Gandavo, José de Anchieta, Manuel da Nóbrega.  Os viajantes são: Américo Vespucci, Hans Staden, Jean de Léry e outros. Há, no entanto, uma obra que foi escrita aqui no Brasil, Rio de Janeiro, a pedido de Villegaignon e que muitos não sabem e é conhecida pelos presbiterianos com o nome “Confissão de Fé de Guanabara”. A Confissão foi feita em doze horas e foi assinada por Jean du Bourdel,  Matthieu Verneuil,  Pierre Bourdon,  André Fon. Deveria fazer parte da Literatura dos Viajantes. Ela Começa assim: “Segundo a doutrina de São Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar razão da esperança que neles há, e é isso com toda a doçura e benignidade, nós abaixo assinados, Senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida da graça   que o Senhor nos tem concedido) damos razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro artigo:

1 – Cremos em um só Deus, imortal, invisível, criador do céu e da terra e de todas as coisas tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: o Pai, o Filho e o Santo Espírito, que não constituem senão uma mesma substância em essência eterna  e uma mesma vontade; o Pai, fonte e  começo de todo bem; o Filho,  eternamente gerado do Pai,  o qual, cumprida a plenitude do tempo se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido  do Santo Espírito, nasceu da Virgem Maria feito sob a lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito,  procedente do Pai e do Filho, Mestre de toda verdade, falando pela boca dos profetas, sugerindo as coisas que foram ditas por nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem. (Você, caro leitor, pode conhecê-la pelo site de Felipe Sabino de Araújo Neto: Http://www.monergismo.com/ )

Os autores foram enforcados e seus corpos atirados de um despenhadeiro, lá no Rio de Janeiro, em 1558. Foram os primeiros mártires reformados, protestantes que deram a vida pela sua fé.    A Literatura brasileira é linda, mas é triste também.

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