O puerpério nunca é igual para toda mãe, mas sempre deixa marcas. Ele chega de forma intensa e mexe com os sentimentos. Sonhos, expectativas, medos e culpas invadem, e por vezes geram sofrimento.
Foi nesse turbilhão que Jaine Barros, 32, fisioterapeuta de Itapetininga viu sua maternidade ser transformada. Após uma gravidez tranquila veio um grande susto: quando seu filho Caio tinha apenas 1 mês e meio (no auge do puerpério) desenvolveu mastite (inflamação das mamas), causada por uma picada de aranha, que nem imaginava ter sofrido.
A inflamação evoluiu para necrose e a recém-mãe precisou de uma intervenção cirúrgica. Foram dez dias de internação longe de Caio, mais três meses de cuidados e antibiótico:
“Fiquei internada 10 dias no hospital sem meu bebê e depois tive me mudar para a casa da minha mãe para ela cuidar de mim e do meu bebê, pois precisava terminar os antibióticos via injetável e curativos por mais 1 mês. Eu chorava por estar nessa situação sem poder cuidar do meu filho e ainda precisando ser cuidada. Costumava dizer que meu maior dom, na profissão, é cuidar das pessoas, e eu não conseguia admitir estar vivendo o oposto”, conta a fisioterapeuta.
Ela conta que a pior fase do puerpério foi vivida dentro de um hospital, onde se viu fragilizada e sem o filho nos braços:
“Eu me vi doente no momento mais delicado da minha vida em pleno puerpério que já não é fácil. Caio é meu primeiro filho. Me perguntava: por que agora? Mas ao mesmo tempo agradecia a Deus por ter sido comigo e não com ele!”, lembra.
Hoje Jaine valoriza os pequenos detalhes do cotidiano: uma caminhada matinal, a visita de um tucano no quintal ou uma brincadeira no parquinho com o filho:
“Agradeço a minha vida e do meu filho. Enquanto desfruto desses momentos há mães em leitos hospitalares impedidas de vivê-los”.
Uma picada tirou o direito quanto a amamentação que ela tanto sonhava, mas lhe entregou o que importa: perceber que a maternidade está nos detalhes e o que muitos chamam de rotina, na verdade, é a vivência do extraordinário.
As mães tentam planejar cada detalhe e sonham com todas as fases da vida do filho. Contudo, a maternidade pode ser implacável e revelar surpresas dolorosas.
Não foi fácil lidar com essa peça que o destino criou para Jaine. Ela teve que juntar cada caco e ajustar suas expectativas dia após dia.
Todo sofrimento traz um aprendizado e com Jaine não foi diferente. Ela relata que essa fase dilacerante transformou sua maternidade como um todo. A mamãe do Caio ganhou um olhar mais sensível e acolhedor. Valoriza a empatia e é grata por toda ajuda que teve. Reforça ainda que é essencial ser apoio às mães durante o puerpério:
“O puerpério por si só já é um tempo de transformação e redescobrimento de uma mulher. Ele passa, mas a força que nasce com ele fica para sempre! Que nunca falte acolhimento, empatia e apoio, porque nenhuma mãe deveria atravessar esse caminho sozinha”.
Para ler mais conteúdos da colunista Mayara Nanini, clique aqui.














