Por Mayara Nanini
A vida é feita de desafios. Desde a infância cabe a nós o dever de encontrar respostas, aceitar as contradições e seguir em frente. Já dizia Cora Coralina “Aceitei contradições, lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo. Aprendi a viver”.
Nessa eterna faculdade – que é a vida – somos convidados a traçar uma trajetória. Rafael Mendonça, é mineiro, tem 34 anos, reside em Itapetininga desde 2017, e guarda uma lista de desafios vencidos: “O maior desafio da vida talvez tenha sido avançar em várias áreas, e eu explico: tenho paralisia cerebral, o que afetou a parte motora e faz com que eu seja cadeirante. Isso exige uma superação por dia, com colocações no mercado de trabalho, provando que é possível viver quase como as demais pessoas. Na escrita, o maior desafio é publicar: tornar público algo que é só do autor quando está no papel é estar sujeito às avaliações. É preciso ter coragem! ”
Eis aqui alguém que aprendeu a viver. Desde criança teve a escrita como uma fiel companheira. Mesmo sem saber, ao certo, o que buscava, encontrou sua grande motivação para traduzir a visão de mundo e predileções: “Acredito que a escrita tenha me ajudado a organizar melhor as ideias, mas principalmente traduzir meus pensamentos. Antes dos dez anos de idade, já escrevia crônicas sobre Fórmula 1 e me lembro de que estive entre os melhores colocados em um concurso regional, o que me possibilitou conhecer uma rede de televisão e o funcionamento da redação. Posso dizer que influenciou na minha formação profissional”.
O escritor coleciona em sua biblioteca particular três obras literárias. Dois deles sobre reflexões a partir do texto bíblico e um sobre o ano de 2019 do Flamengo (“Biblionários – Evangelhos”; “Biblionários – Cartas de Paulo” e “Sempre Flamengo”): “Todos foram publicados pelo sistema da Amazon, que permite que o próprio autor envie o texto diagramado e a capa para publicação. Como os livros são impressos nos Estados Unidos, a logística é um pouco mais demorada e, com o aumento do dólar, eles estão “congelados”, já que é preciso arcar com o frete – no caso do físico. Para quem gosta do digital, estão disponíveis mais facilmente também pela Amazon. O melhor caminho é reunir pedidos e fazê-los como autor. Sai mais barato para todo mundo e fica mais rentável também. Hoje, tenho pouquíssimos exemplares em mãos do livro sobre as cartas do apóstolo Paulo: uma série de reflexões sobre todos os capítulos das 13 cartas escritas por ele e colocadas no cânon bíblico”.
Ele, que é formado em letras e pós-graduado em Assessoria e Gestão de Comunicação e Marketing, trabalha com revisão e formatação textual. Isso engloba textos literários, mas principalmente textos científicos, como monografias, dissertações e teses. Já são mais de 500 trabalhos em 14 anos de atuação.
Acerca do marketing tão estudado por Rafael, não podemos perder de vista que é um grande aliado na divulgação de obras literárias. Apesar de o mercado ser muito concorrido, algumas pessoas ainda acreditam que “só é visto quem é lembrado”. O Comunicador reforça que nosso tempo é marcado pela instantaneidade, por isso o Marketing de hoje está muito mais ligado ao vídeo, às imagens, do que aos textos como eram os classificados, por exemplo. Isso proporciona um alcance muito maior: “Numa dessas conexões, por exemplo, um leitor brasileiro na Alemanha me achou no X. Só foi possível por conta das redes, mas principalmente porque as vendas são sem fronteiras”.
O pai da pequena Elisa é um bom observador e acompanha de perto os veículos de comunicação de nossa cidade. Relata, sobretudo, que os trabalhos da Academia de Letras e de História na cidade são valiosos incentivos à literatura regional.
Itapetininga, sem dúvida, tem sorte em abrigar talentos que se acalentam em seu território. Rafael é um exemplo de superação. É um artista sem fronteira. Segue com seu talento múltiplo, seja no marketing, revisões ou na escrita. A verdade é que ele escolheu fazer a diferença por meio de seu dom artístico e isso nos enche de orgulho.
Que seu talento chegue em outros Países, além da Alemanha, e que, nossa cidade, seja capaz de reconhecer sua arte e apoiá-lo sempre que precisar.
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