Alunos são alunos

Foi no ano de 1962. Tudo começou numa aula de Ciências Naturais. O livro era do Antônio Antunes Júnior e José Antônio. A Professora D. Mirtes discorria sobre os vegetais e sobre o Fruto. Fez um esboço, pois na época não havia os recursos da modernidade. No fruto, disse ela, encontramos duas partes distintas: pericarpo e semente. Depois afirmou que o pericarpo resulta do desenvolvimento das paredes do ovário. Voltou, logo em seguida, para um desenho que fizera no quadro-negro e mostrou que o pericarpo compreende três camadas: o epicarpo, o endocarpo e o mesocarpo, explicando cada uma, despertando a curiosidade dos seminaristas.
Eu ainda estava no Seminário. Já passara por essa fase, pois estava fazendo Teologia e Filosofia. Fiquei sabendo do ocorrido pelo Israel, filho do seu Policarpo.
Belmiro, seminarista, aspirante ao santo ministério, que era muito engraçadinho, perguntou: – Professora, será que o fruto que Eva comeu e deu uma parte para Adão era carnoso, como a laranja?
Todos riram e a professora que estudara nos Estados Unidos da América do Norte, USA, muito séria, respondeu:
– A Bíblia não cita o nome do fruto, mas devia ser de boa aparência, uma vez que Moisés afirma que “a árvore era boa para se comer e agradável aos olhos…” (Gênesis 3:6)
Os alunos queriam matar a aula, como se dizia na época, para ter pouca matéria na prova.
Jônathas, que era consagrado e muito piegas, disse que Jesus afirmara:-“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.(João 15:2) Não sei se a professora estava gostando da intromissão, mas sei que ela parou de dar aula para explicar assuntos teológicos. Quanto a observação do Jônathas, ela disse: – Vocês notaram que o texto citado pelo Jônathas não fala frutos, mas fruto?
Até o Pedro, o mais franzino de todos, resolveu citar o apóstolo Paulo, olhando de um lado e do outro, com um sorriso nos lábios, esperando elogios: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. ( Gálatas 5:22)
– Muito bem, Pedro, o cristão precisa produzir esse fruto, cujos gomos são: amor, alegria… A professora citou todos. Se os cristãos produzissem o fruto do Espírito Santo, continuou ela, não haveria tantos problemas no mundo.
D Mirtes não conseguiu terminar o assunto e a classificação dos frutos secos e carnosos, indeiscentes e deiscentes ficou para outra aula.
Alunos são alunos!

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