Betha, Bethânia

Na penúltima sexta-feira, dezoito, junho, a cantora Maria Bethânia completou setenta e cinco anos de idade e a data foi (muito!) comemorada nas mídias paulista e carioca, principalmente. Emissoras mais atualizadas da televisão nacional (como a Globo, evidentemente e a Globo News) colocaram em quase todos os seus noticiários a efeméride em louvor a artista baiana. O canal Bis, 560, na Sky, à noite apresentou um documentário de uma hora e vinte minutos sobre ela de título “Música é perfume” uma produção francesa de 2005, com elevado nível artístico, mostrando Bethânia (ainda com cabelos pretos) ensaiando algumas canções do seu vastíssimo repertorio com o maestro e coordenador de sua banda (de Bethânia) Jayme Alen. E mostra a cantante bastante rigorosa na preparação de um número musical. Aliás bastante rigorosa sim, supervisionando tudo nos seus mínimos detalhes. O documentário em questão mostra também cenas singelas de uma sua estadia na cidade natal, Santo Amaro da Purificação, na Bahia durante um aniversario que sua mãe dona Canô, não fosse ela Canô também mãe de Caetano Veloso entre outros irmãos de Bethânia.
Na missa comemorativa do natalício de Canô, a presença dos dois artistas Bethânia e Caetano, além de mulheres idosas de Santo Amaro da Purificação, vestidas de baianas, todas de branco com suas cantigas locais. Lindo!
A primeira vez que vi e assisti Maria Bethânia foi no palco de um teatro no bairro do Bixiga, em São Paulo (se não me engano, no teatro Ruth Escobar) no legendário “show” “Opinião”, uma produção carioca de Odulvado Vianna Filho, o Vianninha, Armando Costa, o poeta Ferreira Gullar entre outros. Legendário por que? Porque foi a primeira manifestação teatral que protestava contra o Golpe civil-militar brasileiro de 1964, cuja censura era pouco mais branda que a do Ato Institucional número 5 o horroroso AI-5 que viria em 1968. Nessa encenação “Opinião” juntava-se no tablado do teatro paulistano três brasileiros: Zé Keti, o compositor carioca que vinha dos morros; João do Valle, o também compositor do Nordeste e Maria Bethânia cantora da Bahia, representante de uma classe média progressista.
No Rio de Janeiro, apresentado antes que de São Paulo, o “show” teve a presença de Nara Leão que com problemas na voz indicou para substitui-la Bethânia, que tinha conhecido em Salvador. Cada um destes três brasileiros, conta seus problemas pessoais e os da região (subdesenvolvimento, falta de recursos como emprego, moradia, assistência na saúde, na educação e outros). Nessa representação houve-se em primeira audição canções que depois se tornaria clássicas na música popular brasileira. É aqui que Maria Bethânia canta “Carcará” (pega, mata e come) de João do Valle, com uma intensa dramaticidade como a letra exigia. Na noite que assisti, Maria Bethânia foi ovacionada (e assim acontecia todas as noites).
Aliás, ver Bethânia num palco é um privilegio muito (mas, muito!) mais que na televisão. Ela parece hipnotizar os espectadores tamanha sua força de interpretação. Tudo o que ela canta torna-se moderno (o mesmo acontece com seu mano Caetano Veloso). Mesmo as canções doloridas interpretadas por Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa, Dolores Duran, Nora Ney entre outras tornam-se atuais na voz da moça de Santo Amaro da Purificação. Canções essas que foram ensinadas pela mãe dona Canô, assídua ouvinte das rádios cariocas como a Nacional.
E o que dizer de suas interpretações de Gonzaguinha? Não. Bethânia nunca se apresentou em Itapetininga. Mas muitos itapetininganos foram vê-la nos palcos de São Paulo e Rio de Janeiro, principalmente. Felizmente.

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