Como livros e filmes abordam o futebol e as Copas

“Todos torcem, agora, para que o Brasil, nesta Copa, iniciada quinta-feira, 12 de junho, volte a trazer aquele futebol destituído dos altos interesses financeiros e seja, de fato, a alegria do povo, pois como declarou recentemente o presidente do Uruguai, Mujica, ‘Copa não é uma guerra, mas sim uma grande festa Mundial, em que  Brasil tem o privilégio de realizá-la neste ano’.”

 

Há questão de dias, em conversa informal com o admirável e simpático Osvaldo Piedade, comerciante, ele se lembrava do clima de velório, com as ruas silenciosas e vazias, após ouvir pelo rádio a derrota da seleção brasileira por 2 X 1 para o time do Uruguai, na Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil e a repercussão em Itapetininga.

Osvaldo, do alto de sua provecta idade, discorria com conhecimento sobre a importância do futebol na sociedade brasileira, o amor que unia todos os setores da comunidade em torno desse esporte e, “à Copa perdida, que nos deixou entristecidos e traumatizados até hoje”.

Se alguém quiser ter uma pálida ideia da importância do futebol dirija-se à internet e assista ao belo filme em curta metragem “Barbosa” (disponível no youtube), de 1988, inspirado pelo livro clássico de Paulo Perdigão, “Anatomia de uma derrota”, escrito em 1986. Um bom remédio ao amargor deixado na boca por “Barbosa” está no cativante filme “1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil”, de 2008, sobre o primeiro título conquistado pelo nosso país, conquistado na Suécia.

Foi a seleção dos craques famosos, como Gilmar, Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagallo, mas principalmente Pelé, um garoto de 17 anos, que transformou a sua convocação em “algo polêmico”. Foi a meteórica consagração planetária e com ele, não houve e não haverá outro. Porque, se alguém duvidar, tente assistir sem ficar extasiado ao filme “Pelé Eterno”, de 2004 (facilmente encontrado nas locadoras), ou então ao anterior, também de deixar água na boca “Isto é Pelé”, de 1974, dos cineastas Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto.

A era Pelé estendeu-se até a gloriosa vitória da equipe canarinho no México em 1970, passando pelo bi no Chile, em 1962 e dado muito à desorganização e contusão do craque Pelé, passamos pelo vexame de 1966, na Inglaterra. Neste mês o Rei Pelé lançou sua autobiografia, escrita em conjunto com americano Brian Winter, “Pelé, a importância do futebol”, onde relata toda sua trajetória.

Para compreender melhor o fiasco de 1966, e também, já em pleno Regime Militar, os bastidores políticos e desportivos do título de 1970 (o tri), além de enaltecer uma das personalidades mais fantásticas da história do jornalismo do futebol brasileiro, nada melhor do que ler “João Saldanha, aliás livro que está sendo lido pelo colunista Ivan Barsanti, escrito por André Iki e Beto Macedo em 2010.

Depois de um longo tempo sem vitórias em Copas que seguiu até que, quase 25 anos depois, veio o morno tetra nos escaldantes estádios do EUA (1994), como se pode ver em “Todos os corações do mundo”, de 1995, filme de Murilo Salles, considerado oficial pela FIFA.

No entanto, ao que se sabe, não existe um documentário sobre o quinto e último título mundial conquistado no torneio dividido entre Coréia e Japão, em 2002, que simbolizou o processo de distanciamento entre torcida e seleção na era do futebol altamente comercial e globalizado, de atletas transformados em mega estrelas nômades e da Copa transformada em grande espetáculo televisivo.

Todos torcem, agora, para que o Brasil, nesta Copa, iniciada quinta-feira, 12 de junho, volte a trazer aquele futebol destituído dos altos interesses financeiros e seja, de fato, a alegria do povo, pois como declarou recentemente o presidente do Uruguai, Mujica, “Copa não é uma guerra, mas sim uma grande festa Mundial, e o Brasil tem o privilégio de realizá-la neste ano”.

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