De pai para filho – A arte de fazer linguiça

Primeiro foi no bairro da Chapada Grande, em 1928 e, posteriormente, transfere o estabelecimento para o centro da cidade, continuando ininterruptamente até hoje a fabricar linguiça, artesanalmente e com o mesmo tempero. Na rua Aristides Lobo, a antiga e famosa das “Formigas”, sobressai o açougue “São José”, uma das referências comerciais de Itapetininga e que, sem perder as características de quase oitenta anos, continua atendendo a grande número de fregueses. São os mais variados, desde aquele humilde homem do campo, trabalhador da enxada até o mais sofisticado cliente, vindo da capital paulista como o ex-prefeito Paulo Salim Maluf, ou a ex-prefeita Marta Suplicy. Mas hoje, quem permanece no balcão, servindo com toda simpatia e atenção, é o conhecido Said Júnior (Saidinho), que pretende continuar com negócio “até quando Deus quiser”.
Considerado uma pessoa quase folclórica. Said José chegou em 1928, direto do Líbano, com a vontade férrea de trabalhar e vencer na América e, também, ajudar o Brasil a “crescer”. Estabelecido, inicialmente na antiga Chácara Tenente Carrito, com armazém de secos e molhados, transferiu-se para o bairro da Chapada Grande instalando-se com o mesmo ramo, e junto com a esposa Emília Jubran José “uma mulher de fibra e que soube auxiliar o marido e educar os doze filhos dentro dos princípios cristãos e na mais perfeita honradez”. Vendendo desde agulha até “mosquiteiro”, Said financiava os lavradores do lugar, que se dedicavam ao plantio de algodão e só recebia após a colheita da safra – caso ela fosse rendosa.
Com comércio vibrante, além de adquirir mercadorias de vendedores, Said empreendia viagens periódicas a São Paulo, onde levava algodão bruto para as indústrias e trazia artigos para seu armazém, “uma espécie de supermercado da época”, tornando-se desta maneira sempre atualizado no ramo. No entanto, o carro-chefe do estabelecimento passou a ser a linguiça, cujo tempero natural permanece até os dias atuais, e que recebeu a receita de Maria Adelaide Ruivo, uma moradora também da própria Chapada Grande, Said e Emília aprenderam a fabricar o artigo e caprichavam de tal maneira, que ele era procurado não só por pessoas da cidade como de outras localidades. Seu filho lembra que Paulo Salim Maluf até hoje recebe o alimento levado pelo ex-prefeito de São Miguel Arcanjo, Luiz Albach e também para Orestes Quércia, encomendado pelo ex-deputado Osmar Thibes do Canto. O estabelecimento foi frequentado por políticos como Ciro Albuquerque, Waldomiro de Carvalho, Caio Dias Batista e, igualmente, pelos advogados Jango Mendes, Rodolfo Miranda Leonel e pelo padre Brunetti. A linguiça enchida de carne de porco com sabor inigualável, é toda feita com tempero natural, ervas aromáticas e com suínos previamente escolhidos, “perfeitamente ente saudáveis”.
Conseguiu educar os doze filhos que hoje ainda continuam em atividades como professores, bancários e funcionários públicos e no balcão do conhecido e conceituado açougue São José. Homem que soube viver condignamente, Said, trabalhador contumaz, preenchia suas horas de lazer frequentando Clube Venâncio Ayres ou Recreativo, não só participando de reuniões festivas como “amadoristicamente brincando com carteado”, tinha por hábito viajar com a esposa para relaxar das atribuições da vida.
Seu filho Said Júnior, um amante incondicional do comércio gosta de confirmar sempre aquilo que apregoa: “Sou ainda do tempo de amarrar cachorro com linguiça”, isto é, quando havia honestidade, e, “não gosto de encher linguiça”, significando tomar tempo ou espaço falando ou escrevendo superfluamente.

(*) Publicada originalmente no jornal “Correio de Itapetininga” e republicada no livro “Memórias Vivas”, volume 1.

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