Faltam poucos dias para o almejado começo da Copa do Mundo de 2026, este ano realizada em três países (o selecionado do Irã ficará no México um tanto distante das garras do seu rival, os Estados Unidos).
É assunto do momento, apesar que a mídia buzina o evento desde janeiro de 2026, principalmente a reprodutora que trará o espetáculo para a nossa casa. Por enquanto os craques da seleção nacional estão sendo tratados como príncipes. Até o primo do primo do primo do primo de um jogador da seleção “canarinho” está sendo entrevistado, em qualquer momento. Já pensaram se a seleção de futebol brasileira for desclassificada logo no início? Esperamos que não aconteça, mas se acontecer, será uma hecatombe para os meios de comunicação e para o comércio da pátria, que investiu tanto nos apetrechos para a torcida, como as camisas amarelas (caríssimas por sinal), as cervejas que não serão tomadas e nem compradas. Quantos comércios alusivos ao evento serão retirados e quanta preparação para os jogos será desfeita?
Mesmo aqueles que não são muito apaixonados pela bola, ficam excitados nos dias que antecedem a entrada em campo da seleção nacional. No dia do jogo então, o Brasil para (a mando da comunicação de massa é lógico). Embora a maioria das partidas do Brasil seja à noite, sempre haverá o meio período de trabalho que começa à tarde.
Nas Copas até 1966 a transmissão pelo rádio já excitava o povo. Com a televisão transmitindo em tempo real em 1970, imobilizou totalmente a nação. Em São Paulo, por exemplo, os motoristas de ônibus urbanos faziam o percurso normal centro-bairro, e vice-versa, mas sem passageiros. Uma cena quase impossível em uma cidade como São Paulo.
Em 1970, vivíamos sob a ditadura do governo de Emílio Garrastazu Médici, o mais cruel dos ditadores daquele período (1964 – 1985). Os mais revoltados resolveram torcer contra o Brasil justamente porque se a seleção fosse campeã, aumentaria a popularidade do ditador de plantão. Mas muitos deixaram este fato de lado, principalmente na última partida, quando o Brasil foi campeão e diante das magias futebolísticas de seus jogadores, como Pelé, o “Rei do Futebol”, Rivelino, Tostão e outros. Mas, com o final da Copa (realizada no México), os revoltados contra o Governo Militar continuaram revoltados até a volta da democracia no país em 1985.
O Brasil é o favorito neste ano? Não, não é. Mas também não era em 1958, quando pela primeira vez conquistamos a Taça, na época denominada de “Jules Rimet”, que deveria ser algum benfeitor do futebol.
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