Eles foram simples, heroicos e gloriosos

Todos se consideravam eternos, sonhadores, e diante do que almejavam conseguiram conquistar a simpatia e o respeito de grande parte da população itapetiningana.

Foram de uma ambição própria do ser humano e dentro dos seus limites deixaram o rastro e a saudade daqueles que os conheceram. Reconhecidos como baluartes no desenvolvimento da cidade, cada um em sua digna e nobre profissão, tiveram todas as homenagens bem merecias naquele dia que os consagraram: o 13 e Maio – glorificados e honrados pelos segmentos sociais.

Praticamente todos estão sujeitos, depois da morte, ao que se chama esquecimento total. Mas, uma data, o 13 de Maio, faz com que os recordemos, embora festividades sejam agora realizadas em Novembro – “O Dia da Consciência Negra”, sob a organização de Mario Antônio da Silva, um entusiasta pelo levantamento moral e material da raça.

Mas, afrodescendentes nasceram, residiram e trabalharam com dignidade e morreram com dignidade. Foram centenas e centenas deles que perlustraram caminhos, às vezes íngremes para atingir níveis de vida condizente com a decência e hombridade. Em muitas ocasiões sofrendo velados preconceitos, mas seguiram altivos e valentes em suas funções desempenhando-as com talento e eficiência. Estiveram presentes nas mais diversas atividades como pedreiros, juízes, advogados, construtores, médicos, comerciários, comerciantes, contabilistas, cantores, cozinheiros, serralheiros, esportistas, professores, humildes coletores de lixo, carteiros e carreteiros.
Torna-se difícil esquecer daqueles que integraram a sociedade itapetiningana, como Durvalino Costa e Silva, músico maior, regente e um dos pilares, maestro da Banda do Rosário e da Orquestra Sinfônica local, nas décadas de 1940 a 1970. De Esaú, alfaiate e músico, baterista da orquestra dirigida por Caetano Ianaconi; de Guedes, sambista, imitador perfeito, do caricaturista do samba brasileiro Jorge Veiga.

E, como esquecer, Mestre Florêncio, construtor do prédio da Maçonaria, do Largo do Rosário e a própria Igreja do Rosário, erigida pelas suas mãos? Que dizer do grande combatente da Revolução Constitucionalista de 1932, Durvalino Toledo, um dos fundadores da Vila Santana, líder da comunidade e ferroviário apaixonado? E que presidiu o saudoso clube 13 de Maio, junto com Benedito de Lima, seu Cruz e outros abnegados? Presentes estão na memória de muitos o famoso Benjamin, o Ben-garçom habilidoso do Hotel São Paulo e seu filho Ari, carnavalesco e grande nadador dos rios locais, assim como Bastião do trombone e o primogênito Ari Campos, também maestro da extinta banda do Rosário.

Nos esportes convém reverenciar Tico-Tico, Orlandinho que atuou no CASI, Associação, Ponte Preta, São Paulo XV de Piracicaba, bem como Bagé, Luizão (AAI), China, Costa Pinto, Arlindo, Nelsinho, o Manga (que hoje trabalha na Associação Bandeirantes) e outros grandes craques que reverberaram em campo. Oportuno rememorar nosso único vereador afrodescendente que ocupou a presidência da Câmara, Dr. Santiago e o suplente Erotides, este um trabalhador em favor da raça. Na culinária o entusiasmado Odilon, cozinheiro mór do Hotel S. Paulo e requisitado para festas familiares, junto com outro de talento- Dimas, no Bar do Dandí. Lembram-se da Nina, contabilista e funcionária de confiança do armazém de Francisco Tambélli, e da deslumbrante e sedutora Tereza Costa Pinto, musa admirada por toda Itapetininga, sempre eleita Rainha do Carnaval? E da voz eternizada de Almir Ribeiro?

Homenagem e todo respeito devemos ao professor Mauro, da tradicional “Peixoto” e outros de igual valor. Ao competente músico Sebastião Tostão, que atuou em várias orquestras do Rio de Janeiro, São Paulo e Buenos Aires, além do Hotel Quitandinha. Reconhecidos, não esquecemos Virgilião que alegrava a cidade como massagista, de equipes de futebol, porta-estandarte em desfiles cívicos e pintor como profissão. Também exaltemos, brilhando nas ruas locais.

Erasmo, o mago da clarineta – e sua bicicleta totalmente decorada em dias festivos; Dito Corta-Capim, Dito – Assobiador, figuras folclóricas, amadas pelo povo e consideradas parte integrante da paisagem itapetiningana. A lista os considerados heroicos e gloriosos pertencentes à raça negra, poderia com justiça ser estendida. Mas fica o grande respeito e agradecimento àqueles que contribuíram com o apogeu de seu torrão natal, embora humildes, despretensiosos, mas taxados por muitos como ilustres e imortais.

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