Ganhar ou não ganhar?

O filme brasileiro “O agente secreto” foi indicado para quatro categoriais na premiação do próximo fevereiro, ou seja: melhor filme (no sentido geral), melhor filme de língua não inglesa, melhor preparação de elenco (isto é novidade no Oscar) e melhor ator. O filme é dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho (o mesmo diretor do excelente “Bacurau” que passa muito na TV Cult na Sky, Claro, Vino e outras mais) e a concorrência será dura.

Segundo críticos de cinema nacionais, neste ano os filmes indicados são de ótimo nível, tanto na direção, como no roteiro, ator, atriz, diretor e outros mais. O Oscar, diferentemente do Globo de Ouro (vencido, como vocês sabem) por Wagner Moura e filme de língua não inglesa (Kleber Mendonça Filho) é um pouco (ou bastante) diferente do Oscar. No Globo votam jornalistas estrangeiros que trabalham em solo americano, logicamente especializados em cinema. É um prêmio mais intelectual.

O Oscar é mais aberto, contando com cerca de 10 mil votantes ligados ao cinema e residindo não necessariamente em Hollywood, Califórnia. No Brasil, são 77 os votantes. E quem vota não é necessariamente crítico de cinema, mas também roteiristas, diretores, alguns atores e atrizes, cenógrafos, pessoal da maquiagem, iluminadores, coreógrafos, costureiros (sempre que estejam fora do elenco dos filmes indicados), entre outros.

Aliás, “O agente secreto” está com muitos elogios lá. O trabalho do diretor Kleber e do ator Wagner é fazer com que os votantes assistam ao filme, daí eles percorrem os meios de comunicação estadunidenses, como entrevistas em programas de rádio, televisão, internet, recepções. É um trabalho árduo, Fernanda Torres que divulgou “Ainda estou aqui” de Walter Salles Junior no ano passado que o diga!

Parecia até impossível que “O agente secreto” triunfasse nos Estados Unidos pois, inicialmente, pensa-se que é um filme regional onde a cidade de Recife é também protagonista. E o diretor Kleber mostra bem a Recife de 1977, em plena época da ditadura cívica-militar, onde o ditador era o Ernesto Geisel. Kleber Mendonça filmou em lugares onde as casas (de hoje) eram as mesmas daquele ano. As roupas masculinas e femininas eram bem mais coloridas do que hoje. Os automóveis idem. Mesmo sendo recifense e conhecendo bem a sua cidade, teve com a sua equipe muito trabalho em recompô-la como era na época.

Mesmo sendo um assunto local “O agente secreto” no decorrer do filme vai transformando seu roteiro em uma história universal, e daí que surge um “quebra-cabeça” inicial que vai mostrando em cada ação um roteiro bem compreensivo, mesmo para quem não viveu a época (ou década). E daí, a aceitação em quase todos os festivais de cinema que passou, principalmente na Europa (Cannes, França, por exemplo), onde a película em seu final foi aplaudida por 10 incessantes minutos.

Vença ou não vença a cobiçada estatueta hollywoodiana, “O agente secreto” já faz parte dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. O final da história é tristíssimo e dá margem a um, sem número de discussões. Assista. Até para não ficar por fora dos comentários.

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