Saiu na semana passada o esperado livro de Milton Cardoso de título acima, com o apoio do Ministério da Cultura, Brasília, Distrito Federal e Secretaria da Cultura e Turismo, entre outras, edição: 2025. Milton que chegou aqui em 2007, já formado em Artes Cênicas e no decorrer de sua formação artística participou de diferentes cursos voltados para a dramaturgia e história do teatro brasileiro.
Nesta cidade criou um curso de teatro para todas as idades e no final de cada letivo, apresentava uma peça, a maioria tendo como centro esta cidade. Interessou-se imediatamente pela memória desta urbe e com o tempo viu-se pesquisando jornais e revistas antigas, incrustadas nos porões do Prédio Municipal do Largo dos Amores a partir de 1894 e 1896, anos que foram considerados marcantes para a então pequena cidade, quando foi criada a Escola Normal (a segunda do Estado de São Paulo) e quando houve a chegada do primeiro trem de passageiros aqui. Razão pela qual Milton denomina este período até1930 de “Belle Epoque” derivada das grandes transformações culturais e sociais.
Na leitura de “Itapetininga – Entre memórias e registros” podemos verificar que a história de Itapetininga não se restringe a uma sociedade que envolvia região central de Itapetininga, mas vai também para seus cantos e arredores como por exemplo os bairros do Gramadinho e Varginha, entre muitos outros. Este livro não é, de maneira nenhuma, para se ler rapidamente. Ao contrário. É para saboreá-lo (o termo é este, saboreá-lo) aos poucos.
E muitas vezes leva uma página várias vezes. Os assuntos não são baseados no “eu acho” ou no “acho que”. Não. O que está escrito é fruto de muita leitura e pesquisas em documentos legais. A obra de Milton Cardoso é relevante pois não é estanque, ou em cada capítulo é abordada apenas algumas décadas dos séculos dezenove, vinte e vinte e um. Não. Há uma mistura orgânica de décadas e séculos, pois no decorrer dos tempos a vida é uma só. As unidades são: “Fragmentos de sua história”, “O cartão postal”, “Religiosidade”, “O futebol”, “Sua gente”, “Um paco que nunca silencia”, “Seus artistas” e “Considerações finais”.
O livro certamente irá despertar o desejo de leitura de itapetininganos (da gema), historiadores, pesquisadores e imprescindível nas bibliotecas de escolas particulares, estaduais, municipais, sociedades recreativas e todo aquele pessoal que residiu aqui, mas transferiram-se para outros lugares.
Diante ainda de tudo isso, as letras são grandes e o pessoal da “melhor idade” lerá tranquilamente. Ilustrado por fotos adequadíssimas do fotógrafo itapetiningano Gustavo Moraes. As fotos do interior da Escola Estadual Peixoto Gomide (entre outros recantos) são lindíssimas. O livro de Milton Cardoso certamente complementará (e como!) outros que visam sobre esta cidade. Não é acadêmico, ao contrário, bastante aberto para todas as idades. Tudo (ou quase) que aconteceu nesta cidade está lá.
Você irá lembrar de muitas passagens contidas na obra. Se for emotivo, pegue um lenço.
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