Leomira deixa o teatro para se eternizar

Tornou-se até rotina, embora cada viagem representa-se uma sensação agradável e diferente. Desde 1987, o ritual foi quase o mesmo para um grupo de pessoas de Itapetininga. Religiosamente, todo fim de mês, 44 passageiros bem-vestidos seguiam para a Capital, em ônibus alugado, para assistir a peças teatrais. O grupo se tornou famoso na cidade e nas tardes de sábados embarcava na Avenida Peixoto Gomide, para se “inteirar e abeberar de cultura”, como dizia a organizadora Leomira de Camargo Nunes.
Aposentada do magistério, Leomira, sempre acompanhada do marido, o saudoso José Nunes, levava muito a sério a responsabilidade de coordenar o grupo, denominado “Vamos ao Teatro”, que porta até mesmo sacolas e broches alusivos ao hábito.
Desde que iniciou as excursões, em julho de 1987, Leomira seguiu quase sempre o mesmo esquema. Pesquisava as peças em exibição na Capital e, depois de consultas e trocas de ideias com os interessados, reservava os ingressos com cerca de 20 dias de antecedência.
Os apreciadores de teatro de Itapetininga que acompanhavam essas excursões garantiam a participação em todas as viagens. Na maioria pessoas de meia idade, entre as quais professores, advogados, comerciantes e microempresários. Quando alguém desistia, geralmente “por motivo relevante, como doença, compromisso inadiável”, Leomira convocava outro interessado, que “sempre estava aguardando vaga”.
Durante a viagem, com duração de três horas, os excursionistas narravam episódios curiosos, cantavam e discutiam a encenação do mês anterior. “Até jornal, feito à mão, colorido, circulava no ônibus”, comentava. Esses exemplares únicos eram preparados mensalmente, cabendo a cada um redigir uma parte. Na capital, era escolhido o shopping do mês, onde muitos faziam compras, tomavam refeições ou iam ao cinema.
O dentista Roberto Lima de Lara e sua esposa, Elza, que eram assíduos nessas excursões, garantiam que iam ao teatro, porque adquiriam “grande cultura” e a descontração era tão grande que proporcionava maior relacionamento de amizade entre todos”.
Foram inúmeros espetáculos teatrais, desde comédias, como “Trair e Coçar” com Denise Fraga e “O Segredo de Irma Vap” com Marco Nanini e Ney Latorraca, até peças shakespearianas, como “Macbeth” e “Sonhos de uma Noite de Verão”, além de musicais e shows.
No final de cada espetáculo, algumas pessoas da excursão aguardavam a saída dos artistas para autógrafos, esclarecimentos sobre a peça “enfim, bate-papo informal”, como revela o professor aposentado Ivan Barsanti Silveira, que registrava em fotos esses encontros com os artistas.
O grupo foi imitado na cidade e em outros municípios da região, onde têm sido programadas excursões com o mesmo objetivo, formadas por pessoas das mais diversas profissões e condições sociais.
Nesta última terça feira, 29 de março, Leomira de Camargo Nunes, 79 anos, nos deixou e embarcou sozinha para a eternidade. A denominada “Dama do Teatro” deixa os filhos José Nunes Junior, Gisleine e Eduardo Camargo Nunes, netos, muitos e muitos amigos e uma grande lacuna na cultura de Itapetininga.

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