Mais circo que pão

O milenar hábito de conduzir e domesticar o povo com pão e circo ainda é praticado, no Brasil.
Por aqui, parece importar menos a obra e mais a festa, sempre perdulária, da inauguração. Festas, em nosso inculto e bovino entendimento, popularizam a figura do administrador.
No Ceará, a inauguração de um hospital público gastou, à época, mais de meio milhão de Reais, com show artístico. O estado padece de séria e desumana situação na área da saúde.
Passamos por séria crise, em que falta o pão, mas o circo continua, sempre acompanhado por sorridentes, solícitos e empreendedores políticos.
Tivemos o show da Copa, com gastos milionários, obras inacabadas, muitas festas e um fim trágico. A mídia, em tempos em que rareiam manchetes, têm, na lembrança da Copa material interminável e escandaloso.
Por muito tempo, as feiras agropecuárias apresentaram artistas famosos, sob patrocínio das prefeituras e secretarias, como se não houvesse qualquer outra necessidade pública a ser atendida.
Há poucas diferenças, em termos de utilidade prática e eficiência, entre o recurso público desviado pela corrupção e o direcionado a festas desnecessárias e circenses. A mesma população que condena ferozmente a corrupção aplaude a irresponsabilidade e o desrespeito.
Atualmente, o giro pelo país, da Tocha Olímpica, repete o já histórico desrespeito ao recurso público, em mais uma gigantesco e lamentável festival de ridículos administrativos. Do desnecessário e exagerado impedimento do trânsito à suspensão da coleta de lixo e trânsito de circulares, muitas cidades viveram longos períodos de incômodos e gastos desnecessários. Até os serviços de disque-entrega sofreram paralização.
Os planejadores da condução da tocha, que todos imaginavam ser realizada por atletas e beneméritos da área, de hoje e outrora, devem à população os esclarecimentos necessários dos parâmetros que determinaram as pessoas eleitas. Só faltou, para completar o escândalo, a tocha ser conduzida por pessoas com sérios problemas na Justiça e Polícia, além de vereadores.
Administrar gastando com irresponsabilidade é tarefa que qualquer idiota faz, comemorando, mas manejar recursos escassos, medindo e elegendo prioridades, é tarefa para homens públicos de fato, raros em nossos dias.
Enquanto a população aplaudir festas e gastos públicos, sem entender que afetam a saúde, segurança, educação e trabalho, continuaremos a ser tangidos como gado. Enquanto a população receber obras e providências públicas como favores pessoais dos administradores, persistiremos elegendo populistas primários, que fazem da política profissão, e de nosso futuro ruína. Chega!

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