Mídias e democracia

É comum termos simpatias e antipatias por este ou aquele jornal, revista, rádio, site ou emissora de TV.
A multiplicidade das fontes de informação e entretenimento oxigena a democracia e inibe a unanimidade. É a multiplicidade que permite o aparecimento de novos talentos, e dissemina a cultura de estudiosos e pensadores.
Remando contra a maré, não fazemos coro aos que bradam “abaixo a rede Globo!”, e estranhamos que as demais emissoras não sejam vítimas de ódios semelhantes, embora tenham, como natural, seus altos e baixos.
Tivemos bons momentos postados diante da telinha, inicialmente com desenhos animados, e após com noticiários, programas humorísticos, entrevistas, reportagens especiais e novelas, principalmente as que retrataram imigrações, épocas e lugares. É difícil não gargalhar ao ver as peripécias de Salomé, personagem de Chico Anísio, dialogando com o general presidente, e é impossível deixar de aplaudir as virtudes descobertas pelo Voice Brasil Kids.
Atualmente, a Globonews desponta apresentando uma equipe invejável de comentaristas, debatedores e entrevistadores. Muito perderíamos se atendido o raivoso coro que prega “abaixo a rede Globo!”
Interior afora, autoridades só costumam resolver os problemas da população quando viram manchetes televisadas, e até a destinação de resíduos sólidos é incrementada por órgão da mídia.
Alguns temas podem ser informados com parcialidade, e algumas realidades podem jamais figurar na tela. Podemos discordar de comentaristas ou do trato tendencioso da notícia, mas sempre devem existir alternativas, e elas felizmente existem.
A mídia entretêm e informa, e, salvo quando mantida por grupos partidários ou ideológicos, busca maior audiência e penetração, pois importa a assinantes e anunciantes o prazer da assistência. A propaganda oficial tem o condão de subverter a mídia, premiando notícias e comentários que atendam aos interesses do poder.
Prefeitos reclamam de blogs e jornais eletrônicos não alinhados, mas a mídia alternativa presta inestimáveis serviços à população, tratando de temas locais e impedindo a imposição de versões oficiais.
É republicano conviver com as mais diversas mídias, concordemos ou não com seus estilos. É fascismo e intolerância buscar o aniquilamento da mídia com a qual não concordamos.
Repulsas e contradições devem ser tratadas na Justiça, que assegura o direito de resposta e até de indenização e retratação, além de prisão, nos caos mais graves. É triste ouvirmos, no burburinho de um palácio, o coro primitivo de “abaixo a rede Globo!”.

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