Na exposição, sua excelência a vaca

Em sua nova fase, esta exposição que tem início neste 17, deverá exibir variedades de animais, naturalmente de todas as raças e de ponta.
Mas, devemos exaltar, como verdadeira heroína, a vaca, pelas inúmeras benesses de alimento, do couro e até dos ossos. Sentenciada pela gula itapetiningana e brasileira, a vaca – com esses olhares paciente e resignado, e também triste, igual aos santos – é uma mártir que mata o apetite de toda população, propicia renda econômica e é fonte de orgulho de pecuaristas e outros pequenos criadores. Embora o Brasil seja historicamente famoso pela exportação de carne, o verdadeiro foco da produção nacional é o mercado interno, que devora mais de 50% de carne produzida no país.
Falar da vaca e não se referir ao leite é de uma mediocridade extrema. Todos sabem que o leite é considerado o alimento da mais alta categoria para o homem em qualquer idade e, principalmente, para as crianças e adolescentes. São julgados povos bem nutridos os que consomem grandes quantidades de leite.
Nesta nossa cidade, em priscas éras, tornou-se comum encontrar sitiantes conduzindo, nas diversas ruas, uma vaca presa a uma corda e oferecendo, “na hora, leite fresco”. A cena assemelhava-se a um filme italiano, porquanto donas de casa e crianças com vasilhame, adquiriam e consumiam o produto extraído em instantes. E o espetáculo que elas proporcionavam quando se desgarravam da manada e adentravam estabelecimentos comerciais da rua da Tropa (hoje Quintino Bocaiuva), provocando verdadeira turbulência, confusão e gritaria e medo. Sem esquecer que existiam as vacas bravas. Aliás, em campos de futebol, durante a partida, existiam os jogadores chamados de vacas bravas, que, pela fúria agressiva, tentavam quebrar a perna do adversário.
A vaca, por centenas de vezes, protagonizou como estrela principal dos circos de touradas, quando surgiam sobranceiras na arena, recebendo aplausos calorosos da plateia ensandecida. Ao divisar o toureiro “caipira” travestido em seu uniforme adensadamente vermelho, punha-se furibunda e avançava lépida para ferir o seu provocador. Quem participou várias vezes do espetáculo, além de outros, desse circo armado no Largo do Correio ou na área frente ao Colégio Imaculada, foi a conhecida e folclórica Conceição, manquitolando ao lado de seu esposo Mocotó, fantasiado de toureiro. A alegria do público era total e, por vezes, emocionante, como sempre lembrava o saudoso Feraldinho Ferruci, pintor de paredes e que não deixava de assistir a esses espetáculos.
A vaca, considerada na Índia como animal sagrado e intocável, ela é no Brasil valorizada financeiramente e um forte suporte na economia nacional. Itapetininga é avaliada como uma das maiores bacias leiteiras do estado de S. Paulo, graças ao elevado número de pecuaristas, segundo um dos diretores do Sindicato Rural, o advogado José Rosa Seixas. Lembra-se que famílias locais costumavam ter pequeno número de vacas, criadas em vastos quintais. Eram dóceis, meigas e mansas, de acordo com uma descendente do agricultor e pecuarista Isaltino Serafim, residente em uma ampla chácara que tem seu nome emplacado em uma vila.
Não sem razão é que nesta mostra agropecuária, deve-se reverenciar as qualidades desta espécie bovina, que além da carne e leite, proporciona, igualmente, o estrume que é aplicado como esterco, o berro imitado musicalmente no “berrante”, o chifre se transformando em botões e quinquilharias e o couro, matéria prima para a fabricação dos macios e suaves pelegos e tapetes.

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