Na longa jornada, a escolha de um lugar

Enquanto o relógio vai, em compassos cadenciados, marcando as horas e os dias passando celeremente, fazendo com que o tempo transcorra com incrível rapidez, o ser humano também gradativamente vai contando idade.
Ao pontuar um ciclo, considerado avançado, começa a maquinar qual seria o lugar para passar o restante da sua existência. Possivelmente viria a ideia de conviver pacificamente com algum filho ou filha, e naturalmente, netos ou parentes próximos. Mas tais conjecturas podem se tornar impossíveis, porquanto poucos são aqueles que convivem harmoniosamente com familiares, mesmo sendo apegados ao extremo.
Daí, então, surge a questão, considerada como um problema dos mais sérios e que vai exigir profunda reflexão sobre o assunto, aliás, muito delicado e sensível. Pensa-se, logo em seguida, em procurar alguma respeitável “casa de repouso” ou um “lar destinado a idosos”, avaliado por muitos no subconsciente como verdadeiro “asilo”, palavra anatematizada por muitos, mas, no entanto, muito procurada e aceita pelos provectos.
Mesmo tentando as alternativas apresentadas, o cidadão em tela reluta aceitar a nova situação que se lhe apresenta, desejando uma rápida solução para o problema. Acomodado com a resolução tomada por familiares, ele não se conforma, passando a viver perturbado pelo restante da sua vida. Cabisbaixo, triste, por vezes amargurado, espera que algum dos familiares o retorne ao meio em que viveu.
Dificilmente surgirá outra opção e então o “internado” tem a sua escolha, conforme o relato que se segue.
Ao seu livre arbítrio o cidadão à procura de um “canto para viver”, deverá atentar para um lugar, localizado na Espanha, denominado Ubeda, ou melhor, “cerros de Ubeda”.
Muitos já conhecem ou ouviram falar em Ubeda, por onde andaram em devaneios ou quando foi necessário mudar rapidamente de assunto. Em Ubeda adiamos tudo que precisava ser resolvido urgentemente. Não precisamos ou pensamos naquilo que nos atormentaria e desfrutamos do doce prazer da indefinição. Em Ubeda, só se passeia nos melhores recantos, nada se decide.
Ou como em casos interessantes, Ubeda é onde se perde tempo a todo o momento. Há quem nasça e passe toda vida, sem se dar conta de nada. E há os que ficam em Ubeda em vez de encarar as durezas da existência.
Outra opção, que o provecto, idoso ou ancião poderá escolher para se recolher até sua transferência para “o patamar superior”, será em Gaza – uma distopia moderna.
Distopia vem a ser um sub-lugar imaginário onde pessoas são infelizes e geralmente tem medo, pois não são tratadas com justiça, um futuro aterrador e desagradável. São desumanizados, um mundo de pesadelos caracterizado por miséria humana, sordidez e opressão. Isto, além de uma superpopulação, onde poucos se conhecem.
São, portanto, dois mundos distintos à escolha do cidadão que pretenda se desagregar ou ser desagregado pela família, pois como diria Chico Buarque, em uma de suas apreciadas canções – “todos querem ir para o paraíso, mas ninguém quer morrer”!

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