No rastro do quarteirão antigo da Campos Sales

Nascida em Itapetininga, mas praticamente paulistana onde residiu por várias décadas, passou, faz pouco tempo a residir, após seu retorno nesta cidade. Cidade onde sua família gozava de grande prestígio, com o pai um dos maiores políticos da região. Por mero acaso, encontrou-se com “amigos da velha guarda”.
Todos na faixa entre 60 a 80 primaveras, abraçaram-se com intensa euforia e alegria incomum e, nos olhos de cada um deles, se descortinava o enorme prazer dessa ocasional reunião.
O local: início da Rua Campos Sales, frente à duas conceituadas farmácias, vislumbrando-se a esplendorosa Avenida “Peixoto Gomide”, harmonizando-se com a rua sempre em movimentada ebulição e referência comercial de Itapetininga. Os estabelecimentos – de bom gosto – com suas variedades de artigos atraindo a atenção dos transeuntes, possíveis e quase certos compradores.
A itapetiningana extasiada com o encontro (e ela exclama por Deus) somente estranhou profundamente a mudança do local e das pessoas. Algo natural com o decorrer do tempo, que provoca a nova forma de vida e o surgimento de novos moradores. Foi quando, quase derramando lágrimas se expressou contricta: “mas onde se encontram as antigas casas comerciais e seus proprietários, todos atenciosos e amáveis? E aquele gorjeio das normalistas, que durante a falta de aulas perambulavam garridamente por aquela via, bisbilhotando as novidades procedentes da capital?
No penúltimo quarteirão que se estendia até a Rua Lopes de Oliveira, ela começou a lembrar das lojas e respectivos proprietários e seus amigos auxiliavam-se na vasta pesquisa e recordações, “cada qual acrescentando o que sabiam”.
O exercício da saudosa jornada teve começo quando foi lembrado a Casa Armênia, de Karnig Bazarian que teve como início da vida a trabalhosa profissão de “mascate”. Na frente o Hotel Cardoso de boa classificação, logo a seguir a Confeitaria França e a Sorveteria de João Martins. Ao lado, a mercearia e bar de Vasco da Costa, considerado um “clube” onde se reuniam pessoas de todos os níveis da sociedade; próximo à banca de jornais e revistas, de Roque Albino, que se tornou quase um mito na cidade, tal a popularidade que granjeou entre a população. E que falar então da Casa de Calçados, também de Karnig Bazarian, com seus artigos importados e a alegria do mundo feminino? Neste local esteve o israelita Benjamim Perlof e seu estabelecimento BBB– Bom, Bonito e Barato; Campinho, era vizinho desse estabelecimento e foi fundador do jornal “Aparecida do Sul”, de longa duração enquanto próximo funcionava a casa de Isaac Ferman e posteriormente Casa Rex, de propriedade do progenitor de Vidal Naef. Uma grande área fechada com um imóvel construido, era a moradia da família de “Virgilião”, frente à Livraria Pacheco e à de Camilo Lelis, enquanto se descortinava o Hotel Central, da família Pichi e depois pertencente a Zacarias Marques e d. Zola. O popular e simpático Moshe, pai do nosso amigo comum Bereck, mantinha a Loja do Povo, ao lado da Casa de Carnes dos Irmãos Kupper, tendo como vizinho a loja de tecidos dos irmãos Badin: Camilo, Celso e Jair. Essa propriedade foi ocupada anos depois pela Casa Sales. Naquele trecho da Campos Sales, funcionou a Alfaiataria de Gabriel Zaidan, a oficina do avô de Roque Guilherme, além da Casa Schatan e Casa Lembo. Funcionavam as lojas de Silvio Livieri, o bar Caça e Pesca, a barbearia de Agenor, antes engraxataria de seu Tonico, pai do Roberto Duarte – pasteleiro – e a casa de Material de construções de Domingos Reis, anteriormente loja de Elpidio Abujamra.
Desta forma era constituído o primeiro quarteirão da Campos Sales que se encerrava com a papelaria Elias, um português provindo de S. Paulo. A rua teve denominações diversas: “Alambari”, “Da Constituição”, “Do comércio” e em 1899 com o atual nome, isto depois da visita do governador Campos Sales, em 1912, portanto há um século. A movimentada e febril via pública, em constante transformação, é uma das principais artérias da cidade e se prolonga até a Igreja Santo Antônio.

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