Nos velhos carnavais, os velhos bares

Bares sofisticados e charmosos, outros casuais, alguns bem simples e uma terceira categoria denominada boteco. Mas todos situados ao redor do romântico Largo dos Amores, onde uma fonte luminosa espargia águas em profusão, outros bares situavam-se nas ruas próximas, como a José Bonifácio, Monsenhor Soares e Júlio Prestes, além dos que estavam estabelecidos bem longe desse pequeno e velho centro
Ostentavam nomes diferentes e atraentes como “Primavera”, igual aos bares da encantadora Paris – área espaçosa, prateleiras de vidro, embutidas com bebidas das mais variadas marcas e qualidades; o “São Paulo”, especialista e conhecido pelos saborosos pastéis de Dona Alice Venturelli; Bar do Alemã e depois do Oswaldo Malatesta, anexo ao Clube Venâncio Ayres. E em seguida vinham: a Padaria São Francisco, de propriedade do Gaúcho, da família Samarco; o movimentado Café Caipira e o poderoso Rodovia, de Calil Iared, com sua fama de “preparador e revelador de políticos, principalmente daqueles que aspiravam a candidatura à Prefeito local.
Havia o bar do seu João, colado ao antigo cine Ideal e a excelsa Confeitaria Gelados, onde a maioria da juventude e classe estudantil de Itapetininga se reunia, entretendo-se e namorando, espairecendo com a intensa movimentação.
Ao longo do tempo surgiram Merendino, Tupi do Egídio, do Seu Pepino, Pigale, Marabá, o conhecido bar da Luiza – antes Carmo Di Conti – uma excelente família nipônica na rua José Bonifácio. Vale ressaltar a existência do Bar Oitenta e o Oasis, em terreno pertencente ao Venâncio Ayres, especialista em comida árabe e outros pratos. E o Kibe Nai da professora Cida Idálio, quem não se lembra dos famosos “Sandoquibes” com coalhada batida?
Entre as múltiplas opções, dentre aqueles estabelecimentos apontados, muitos se surpreendiam com o “Garcia” e seu sanduiche de pernil inigualável, que atravessou fronteiras, também o bar do Evaristo Péres, estes na rua José Bonifácio.
Apreciado e concorrido era o bar do Emílio Nastri, também padaria, sendo que durante festas carnavalescas ou as de final de ano era todo enfeitado e iluminado. Outro apreciado e com grande demanda de fregueses, localizava-se na rua Júlio Prestes, atrás da velha Prefeitura. Conhecido como Churrascaria do Mesquita, além de se especializar em saborosos sanduiches, preparava qualquer outro tipo de quitutes. O bar foi objeto de uma crônica do escritor paulista Osvaldo Molles, autor do livro “Piquenique Classe C”, esgotado há quase meio século. Foi jornalista, produtor de rádio e TV, além de compositor.
Durante o Carnaval, em Itapetininga, no saudoso Largo dos Amores e suas imediações regurgitavam de foliões e o desfile (de alto estilo e bom gosto, que tinha início na Virgilio de Rezende, atravessava triunfalmente a Campos Sales e subia a Júlio Prestes, exibindo-se às autoridades em palanque aramado quase em frente ao Venâncio.
Os bailes carnavalescos, realizados nos três clubes: Venâncio, Operário (CRI) e 13 de maio, posteriormente também no Ginásio Mário Carlos Martins (sob a direção de Filisbino), tinham, segundo Dr Carlos Sacco, o Dr Roberto Lara e Prof Dagoberto Guimarães, foliões entusiastas que vivenciaram e brilharam nesses que foram os melhores anos da festa momista em nossa cidade.
Todos estes foliões, depois do desfile e dos bailes, enchiam a praça e os arredores para comer, beber e conversar com os amigos (as), e companheiros (as) sobre tudo que se passou naquele carnaval. Todos os bares ficavam lotados, cada qual com sua tribo (como dizem os mais jovens).
No livro “Lembranças entre brumas”, de autoria do Olga Pellegrini, em uma deliciosa crônica – “Outros Carnavais” – fala sobre as marchinhas carnavalescas – “elas não morreram, apenas ficaram encantadas em algum lugar do tempo”. E faz um apelo sentimental e nostálgico – “não façam tocar mais as marchinhas de antigamente. Deixem-nas repousando num relicário digno delas. E só as despertem quando sentirem saudades, que é a emoção que mais combina com elas”.

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