O alvo

Em 1963, 1964 e início de 1965, quase sempre via-o nos arredores do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da Universidade de São Paulo, então na rua Maria Antônia, na Consolação, São Paulo, quando os cursos ainda funcionavam lá (com exceção de Pedagogia instalada na Cidade Universitária, próxima ao Butantã e Biologia, também). Eu estudava (e trabalhava!) em São Paulo e morava próximo à rua Maria Antônia. Via, quase sempre, quem? O jovem estudante de arquitetura Francisco Buarque de Holanda que cursava a faculdade de Arquitetura e Urbanismo da U.S.P, no bairro de Higienópolis, por ali. Francisco (e depois Chico) fazia parte de um grupo de moças e rapazes que gostavam de “soltar as vozes” numa quitanda próxima a Faculdade de Ciências Econômicas também da U.S.P., numa esquina da já citada rua Maria Antônia, entre copos de cervejas e, de vez em quando, “batidas” que incluíam uma pinga especial do empório.

Francisco, conhecido como um dos filhos do professor-doutor (emérito) em História (principalmente do Brasil), o intelectual e autor de livros Sérgio Buarque de Holanda, também autor de uma obra clássica denominada “Raízes do Brasil” entre outras. Seu filho, Chico, naquela época já arranhava o seu violão e tentava interpretar (ele era muito tímido), junto com Toquinho, também do grupo, canções da música popular brasileira tradicional como Noel Rosa (o gênio carioca que faleceu aos 27 anos de idade), Heitor dos Prazeres e bossa-nova. Mas também, algumas composições suas. Talvez, na bendita quitanda tenham surgidos os primeiros sons e letras de “A Rita” (a Rita levou meu sorriso no sorriso dela…), “Juca” (foi autuado em flagrante como meliante…), “Sonho de carnaval” (carnaval, desengano, deixei a dor em casa me esperando…), “Pedro, pedreiro” (penseiro, esperando o trem…) entre outras (como a belíssima “Lua cheia”).
Em 1965, ele musicou o poema de João Cabral de Melo Neto de título “Morte e Vida Severina”, apresentado no TUCA (Teatro da Universidade Católica) de São Paulo e em 1966, a consagração com “A Banda” no II Festival de Música Popular Brasileira da TV-Record. Em 1967, paralelamente a subida ao poder do general-ditador Costa e Silva (sucessor de Castelo Branco), como presidente (de plantão) da república brasileira na ditadura civil-militar (1964-1985).

Francisco Buarque de Holanda lança neste ano, o samba “Apesar de você” (amanhã há de ser outro dia) que muitos, contrários ao governo cantavam como oposição ao ditador. A censura apertou (agora com mais força!) e Chico, já casado com Marieta Severo, resolve exilar-se voluntariamente para a Itália onde ficou por dois anos. Na volta, Chico retoma o seu enorme sucesso. Seus “shows”, em São Paulo (e em todo o Brasil) nos “credicar halls” da vida, (essas casas noturnas estão sempre mudando de nome dependendo do patrocinador), os ingressos são disputados “a tapas”! São três a quatro mil expectadores por noite. Ao final, diferentemente de um conhecido cantor que entrega rosas às admiradoras, é a plateia que joga flores em Chico, muitas, até as cortinas se fecharem.

Se em 1967 a canção buarqueana “Apesar de você” foi feita para o ditador Costa e Silva, se fosse agora, adivinhem quem seria o alvo?

Não é difícil!

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