Maria Júlia Seabra de Almeida
Especial para o Correio de Itapetininga
“Até que a morte os separe”. Provavelmente você já ouviu esta clássica promessa em algum voto de casamento. Mas, o que aconteceu com o amor? ou melhor, o que aconteceu com os compromissos de relacionamento dentro da ultramodernidade tão veloz em que vivemos?
A impermanência daquilo que no passado parecia permanente, e sobretudo sólido, parece se liquefazer dentro de um novo contexto social e principalmente, geracional. “Ficar”, verbo que indica permanência assume também um novo sentido: transitoriedade e fluidez dentro de um novo contexto geracional e relacional.
Orientando-se através da premissa da modernidade líquida de Zygmunt Bauman, influente sociólogo e filósofo polonês, as relações afetivas e amorosas parecem se tornar cada vez mais frágeis e frouxas, pouco duradouras, desenvolvendo-se dentro de uma ambivalência própria do amor de mercado, entre permanecer satisfeito agora, mas e depois? são infinitas as possibilidades de escolha, pois “o amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável”, escreveu Bauman.
Comprometer-se ad aeternum parece ser arriscado demais para o amor de mercado dentro de uma sociedade cada vez mais rápida, consumista e efêmera, pois “a modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos — um amor líquido”, afirma.
A forma como nos relacionamos foi diretamente impactada pela forma como consumimos. O amor de mercado pode ser compreendido como uma grande vitrine dos relacionamentos. Escolhemos pessoas da mesma forma como compramos ou nos interessamos por produtos na internet, o que intensifica a noção de efemeridade das relações. A facilidade digital nos coloca constantemente em grande tédio, e nos faz ansiar sempre por aquilo que ainda não chegou, como pontua Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, “a ânsia de ter e o tédio de possuir”.
Conviver em sociedade como seres sociais é uma das facetas que nos caracteriza enquanto seres humanos, que necessitam uns dos outros, vivendo em coletividade. A evolução nos proporcionou este convívio e fortaleceu nossos laços interpessoais. É claro que falar de relacionamentos amorosos é muito complexo e pode gerar mais interrogações do que respostas propriamente ditas.














