O branco como ‘charme’ do itapetiningano

O visual claro como as nuvens alvíssimas enchia os olhos dos milhares de passantes das ruas e avenidas, não tão esburacadas e empoeiradas de tempos que se foram.
Branco era o manto do Sacerdote que oficiava as respeitosas missas da Matriz – aos domingos e dias santificados – e das castas Madres “Irmãs da Imaculada Conceição”, do Colégio, brancos e brilhantes eram os dentes sadios dos cidadãos que frequentavam os gabinetes dentários de Francisco Fabiano Alves, de Eduardo Martins, de Zilda Calux, de Osvaldo Weiss, de Mauro Levi ou de “seu Herrera”, além de outros que solicitavam os serviços do famoso Naxara. Branco, também, era a pureza das donzelas ingênuas e a hombridade das senhoras púdicas, consideradas “impecáveis” em seus comportamentos.
Acrescia-se a esta plêiade os capacitados e corretos médicos e as dedicadas e atenciosas enfermeiras, voltadas à assistência dos enfermos, não só na Santa Casa como nas próprias residências. Branco total cobria as sóbrias Filhas de Maria, Irmandade que ornamentava e dignificava a Igreja Católica.
Branco, e sempre notado, constituía-se no traje, quase rotineiro, àqueles elegantes e fascinantes itapetininganos que se esmeravam na maneira de se vestir e caminhar quase desfilando. Um modelo que poderia ser descrito com o terno branco rigorosamente alinhado, mesmo em dias de chuva ou sol ardente, cabelo preto assentado à brilhantina – como Glostora- repartido como se fosse a régua. Gravata com alfinete pérola, camisa engomada com abotoadura, sapato de duas cores, olhos redondos e sutis e que atraia imediatamente violante apixão as moçoilas de nossa terra. E o frêmito era geral entre o mundo feminino.
Este era o figurino que se destacava naquela multidão, que chamava-se de “almofadinha”, desfilando principalmente na então principal praça da cidade, “o Largo dos Amores”.
Frequentavam, amiúde, os Clubes Venâncio ou Recreativo, que promoviam anualmente, com grande presença de sócios e caravanas da região o famoso baile “Branco”. E garbosos, sedutores, com ternos confeccionados nas competentes alfaiatarias de Edil Lisboa, Gimenez, Ambrosio, Zaidan, Ginez, Manolo, Bôdo e outras especializadas como a de Carlos Climinácio, “3 Irmãos” ou Esaú Costa Pinto.
Ternos brancos, de linho, Tussot brilhante, usados notadamente nas estações de Outono e Verão e “ofuscando a visão do próximo pelo brilho alvar e reluzente”, como costuma lembrar Paulinho Lara, nonagenário e ex-proprietário da avançada Rainha do Sul.
O costume branco, nunca deixou de ser usado em todas as cerimônias civis, religiosas e sociais, destacando-se a cerimônia da Primeira Comunhão, que se realizava anualmente nas Igrejas Católicas, onde crianças, todas de terno branco, recebiam a “hóstia sagrada”. A população da época habituara-se com o branco, traje de personalidades como Abílio Abib, Jairo Galvão, Laudelino de Lima Rolim, Isaltino Válio, Jorge Ravacci, Jair Barth, Nerci Medeiros, Astor Barth, Geraldo Lima de Lara. Impecável em seus ternos brancos sobressaíam-se também o expedicionário Zézinho Rolim de Oliveira, Dr. Santiago (oficial do Exército), Benedito de Lima (ex-presidente do 13 de Maio), drs. Anibal e Gama, Bento de Lara, Benedito Pereira Ignácio, Azet Dib, Dengo do Banco Comercial, Vicente Martins de Mello, Zito Guarnieri, entre tantos, todos com o lenço branco na Capela.
Para a maioria, o branco, além do conforto e higiene que representava, significava pureza, contribuindo, igualmente para a paz da alma e a tranquilidade diante de qualquer situação difícil ou desesperadora.
Nas décadas de 60 e 70, o branco foi sendo substituído pelas cores vibrantes “psicodélicas”; nos anos 80 e 90, o preto foi se tornando predominante nas cerimônias e festas, hoje, no pós, tudo vale, vale tudo.

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