O circo chegou

Atualmente quando os circos (e são tão raros!) se instalam nessa cidade tudo continua na normalidade. O que era uma novidade hoje é tão banal. Entre tanto nem sempre foi assim. Nas décadas de 1940 e 1950, principalmente, a chegada da grande atração geralmente num grande terreno onde (hoje) está instalado o prédio do INSS e Secretaria Estadual da Agricultura proporcionava um certo reboliço na comunidade. Antes da estreia muita gente ia ver a grande lona que levantava – se para proteger aquele espaço que por alguns dias e as vezes semanas iria se constituir num palco mágico e iluminado para a satisfação de todas as espécies de gente: crianças, jovens e adultos de diferentes classes sociais.

Naquelas décadas o cinema era a diversão máxima nesta urbe (já que a retransmissão televisiva surgiu apenas em 1963). Mas o circo não ficava muito atrás e fazia barulho quando chegava aqui. Os maiores circos faziam questão de desfilar para o povo e o trajeto era sempre a rua Campos Salles já que não atrapalhavam o trânsito pois naquelas épocas haviam poucos carros todos importados e nada barato pois a indústria automobilística brasileira começou apenas em 1957, no governo JK.

Lembro, ainda garoto da chegada de um circo famoso, o “Continental”, que diziam ser de procedência mexicana e aterrissou aqui em 1951 (ou 1952?). Só sei que fui com a minha mãe e fiquei encantado com o que vi. O “Continental” era enorme havia brilho, muito brilho, muita iluminação, colorido, bailarinas de “Maillot” (maiô inteiro), moça de sombrinha no arame, os mágicos, os palhaços (logico!) os trapezistas (com rede, que “ninguém é de ferro”, nem naquela época), o globo da morte (puxa!), as feras africanas (elefantes, tigres, leões, novíssimos) o apresentador ou apresentadora com indumentárias dourados, uma orquestra com mais de vinte músicos (não era “play – back”), que tocavam rumbas, aquelas maravilhosas lançadas pelo compositor cubano Ernesto Lecuana. Para mim, tudo aquilo parecia Hollywood.

E aqueles (circos) menores pobrezinhos com lonas remendadas, que, na Semana Santa, encenavam Paixão de Cristo e soltavam rojões no momento da ressureição do Nazareno.

Em todos, os palhaços com os narizes vermelhos, bem vermelhos, alegres e estabanados. Só que, com o tempo, a figura deles ficou banal e generalizada. Ultimamente o nariz vermelho do “clown” começou a fazer parte de todos nós, infelizmente. Começou sim.

Últimas

mais lidas

Assine o Jornal e tenha acesso ilimitado

a todo conteúdo e edições do jornal mais querido de Itapetininga