O que ficou do que passou

Do famoso “Largo dos Amores” – famosa referência da cidade, hoje, transformado totalmente – a centenária sede do clube “Venâncio Aires” permanece incólume. O prédio da antiga Prefeitura, estilo colonial, após quatro anos em estado de abandono, sempre foi considerado símbolo da cidade.
Foi neste festejado edifício que “ribombaram hinos”, segundo o saudoso Alcir de Souza Viana, admirador eterno daquela bela arquitetura e também Antônio Arthur de Castro Rodrigues, um dos grandes artistas plásticos do Estado de S. Paulo. Eles se recordavam sempre dos vários acontecimentos épicos do hoje restaurado, completamente, imóvel e que repercutiram intensamente além dos limites do município.
Como exemplo, sua utilização nos idos do século XIX como cadeia pública, onde encontrava-se preso um assassino que matou a esposa e atirou o corpo em um poço existente no quintal de sua casa, nos lados da Vila Aparecida. Em tresloucado gesto comandou revolta dos presos naquela novel cadeia.
Posteriormente o prédio sediou o poder judiciário, ocasião em que advogados de renome da região atuaram em polêmicos juris de repercussão nacional, como a defesa de um empresário local acusado da morte de um conceituado médico. Notável também foi quando os prefeitos daqueles longínquos tempos ocuparam as cadeiras naquele logradouro, o primeiro, aliás, João Mendes de Moraes, em 1918, após a construção da cadeia nova na Avenida Francisco Válio.
A prefeitura transformou-se em enfermaria durante as revoluções de 1930 e 1932, com ação perfeita dos jovens voluntários, servindo combatentes feridos.
O prédio de rara beleza e sempre admirado, fotografado e pintado em telas, representava orgulho desmedido para os itapetininganos. Em suas dependências, destacava-se a Câmara Municipal, pujante trincheira defensiva do povo, onde digladiavam-se vereadores capacitados em busca de ordem e justiça à população. Entre vários acontecimentos, foi lá que houve a célebre batalha entre dois competentes edis – um pertencente aos antigos PSP, de Ademar de Barros e outro do PTB – de Getúlio Vargas. Outro episódio inesquecível foi a briga – chegando a vias de fato – entre um vereador e um empresário local, por questões econômicas. O recinto da Câmara, em determinada ocasião serviu de palco para funcionários municipais e ferroviários em greve reivindicando aumento salarial. E foi tumultuada, quando se pretendeu cassar impiedosamente um combativo vereador contrário ao prefeito em exercício.
No espaço funcionou o “museu Fernando e Júlio Prestes”, expondo e à disposição dos interessados volumoso acervo histórico da totalidade dos políticos e personalidades do município. No prédio, ocupando área espaçosa, realizavam-se periodicamente saraus musicais e apresentações teatrais, principalmente o período em que o saudoso e competente Ballint dirigia o setor cultural de Itapetininga.
E nesta última semana, o prédio, restaurado definitivamente abriu as suas portas, para abrigar todas as atividades da área de cultura e oferecer a todo público itapetiningano e visitantes uma nova vida, conforme acentuam o prefeito Hiram Junior e o secretário da pasta Maurício Hermman, pois desejam que ‘aquilo que passou volte, com mais intensidade, a ficar definitivamente para entretenimento de toda população”.

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