Os fazedores do folclore itapetiningano

Não exageravam o odontólogo Roberto Lara ou o jornalista Carlos José de Oliveira quando usavam da expressão “desperdício de festa” para os eventos realizados no festival do Folclore que ocorria anualmente em determinada semana do mês de agosto.
Foram épocas gloriosas desses movimentos culturais que deixavam toda cidade vibrando e os participantes envolvidos de corpo e alma nas comemorações. Toda área central de Itapetininga se punha devidamente engalanada com temas relativos às tradições locais e regionais. Eram bonecas de pano, sacys-pererês, mulas sem cabeças, yaras, curupis, boitatá, lobisomens, neguinho do pastoreio, boto, bumba meu boi, além do bem caprichado artesanato.
Então os participantes executavam seus trabalhos admiráveis não só expostos na Praça dos Amores, frente ao público, como deixavam prontos nas exposições realizadas no espaço ocupado hoje pelo Ambulatório “Genefredo Monteiro”, a Praça 9 de Julho.
E se falarmos no extenso calçadão frente à tradicional e centenária “Peixoto Gomide” onde, igualmente, as apresentações se davam defronte a esta escola e as que a ladeia hoje, Fernando Prestes e Adherbal de Paula Ferreira, com público incalculável e entusiasmado.
Rossini Tavares de Lima, irmão do professor de música Modesto Tavares de Lima, então presidente da Associação Brasileira de Folclore, professor de História da música e folclore nacional e participante da criação do Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade esteve por diversas vezes em Itapetininga prestigiando e pesquisando “o nosso festival”, dizendo em entrevistas a jornais paulistanos “ser Itapetininga uma das guardadoras, resgatando toda história do folclore regional e contribuindo para o enriquecimento cultural do Estado de S. Paulo”.
Envolvidos e animados nessas festividades estiveram sempre à frente dos movimentos, além de Roberto Lara, os cidadãos Argemiro Toledo, Thomaz de Mello Neto, Mirian Orsi,João Olímpio de Oliveira, Waldomiro Thibes Cordeiro, José Augusto Peiretti, que sempre propugnaram para não deixar morrer isso que entusiasmava grande povo da cidade.
Sempre um desfile de caminhão de artistas participantes percorria as ruas, anunciando a programação a ser desenvolvida e todos devidamente caracterizados. Destacavam os “Festivais de Nhô Bentico” ( lei de autoria do ex-vereador Francisco Alves Vei) e o de Ted Vieira, nas praças “Dos Amores” , no Largo do Rosário e na avenida Peixoto Gomide.
Ceramistas da região, grupos Fandangueiro, Gaúcho (sob a direção do saudoso Tibiriçá de Paranapanema), Bugrada responsabilidade de Adolfo Matarazzo, Congada, da família Muller, catira, dança do tamanco e outros conjuntos populares eram os personagens, hoje quase todos desaparecidos. Dessas recordações, lembra-se, algumas vezes o “catireiro” João Coragem, ainda residindo em Itapetininga.
Época na qual refulgiram artesãos como Heleno Gomes, Maria Bertolina e Zé Queijeiro, residentes na hoje Vila Aliança. Ainda o professor Germano Mazzarino e Newton Noronha, que executavam primorosamente seus admiráveis trabalhos de madeira e outros gêneros de arte plástica no Largo dos Amores, participando de uma Bienal na cidade de S. Paulo. Hoje com exceção de alguns heróis como Bob Vieira, os violeiros , dançadores de catira, como João Coragem, Zé Neves, e artistas que expõem em nossa feirinha de artesanato entre outros, muito pouco restou da memória de nosso tão rico folclore.

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