A humanidade caminha por entre avanços e recuos.
Alguns avanços, como o respeito aos animais e novos comportamentos no trânsito, não admitem recuos, e os infratores acabam punidos na forma da lei, sempre severa. Tais avanços acabam incorporados aos hábitos e valores de todos.
Pouco ou nada avançamos justamente no quesito respeito humano, recordista em omissões e erros de autoridades as mais diversas, de todos os âmbitos.
Qualquer cidadão pode equipar seu veículo com o mais potente dos equipamentos sonoros, e sair demonstrando sua idiotia fazendo tremer calçadas, de locais de comércio ou residências. Pode conduzir seu inferno volante a loteamentos às margens de represas ou regiões de chácaras, onde a calmaria é sempre esperada.
Tal cidadão dificilmente será obstado em seu percurso, ainda que passe por legiões de autoridades. É tamanha a sensação de impunidade que a caçamba de grandes caminhonetes mal consegue conter o enorme equipamento sonoro.
Se algum vizinho pouco civilizado locar seu imóvel a festeiros de fim de semana, ou juntar os próprios amigos, terá adquirido o direito de produzir som alto a qualquer hora, inclusive madrugada adentro, impedindo o sono e perturbando o sossego de toda a vizinhança. Ao prejudicado, que ingenuamente julga habitar um país civilizado, com o aparato estatal sempre defensor de direitos básicos, resta o apelo à Polícia Militar, que nem sempre comparece ao local dos fatos.
Quando comparece, a Polícia Militar solicita ao incomodante que diminua o som, e nem sempre é atendida. O incomodante, via de regra, não é conduzido ao plantão policial, e nada acontece com o equipamento sonoro causador do crime ou contravenção.
O cidadão, que ainda crê e respeita a PM, aprende que a repressão, no sentido de obrigar a cessação da violência sonora, que os próprios policiais testemunharam, não mais existe. Resta procurar uma delegacia de polícia, registrar um boletim de ocorrência, e aguardar, aguardar e aguardar alguma consequência punitiva ou inibidora da falta de educação e pouca civilidade de alguns.
Botecos escandalosos seguem importunando vizinhanças, e prédios inteiros são atormentados por um ou vários animais, com som alto. Em Itapetininga, dezenas e dezenas de veículos adentram a área da Lagoa da Chapadinha, aos fins de semana, para a produção do inferno sonoro. Sequer a Guarda Municipal comparece, fazendo valer a norma que proíbe o acesso de veículos, naquele local.
Vivemos em plena idade da pedra, apesar do fato de constituir, o incômodo sonoro, uma questão de saúde pública. Até quando ???
Tenho CNH provisória. Posso recorrer de multa?
Sim. Toda multa pode ser recorrida, seja pelo condutor ou proprietário do veículo, podendo estes terem habilitação definitiva, permissão ou...















