Um carioca chamado Ruy Castro

Ele, Ruy Castro, jornalista e escritor nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 1948 (a mesma cidade do cartonista e escritor de livros infantis Ziraldo). Mas, com cinco anos de idade já tinha se mudado para o Rio de Janeiro, então capital da república, a “mui leal e valorosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”, segundo seu fundador Estácio de Sá. E, desde a década de 1990 do século passado até hoje, nenhum escritor cultuou tanto a chamada Cidade Maravilhosa como ele.

Já no final da década de 1960, Ruy enfrentava as redações dos principais jornais cariocas como os finados “Correio da Manhã” e “Jornal do Brasil”, entre outros, numa época em que o Rio possuía “pérolas” da imprensa brasileira. Colaborou também com o legendário “O Pasquim” também produzindo obras da literatura juvenil e adaptações para as narrativas dos escritores Mary Shelley (“Frankstein”) e Lewis Carrol (“Alice no país das maravilhas”). Em 1990, contratado pela editora Companhia das Letras, Ruy Castro escreve “Chega de saudade – a história e as histórias da bossa nova”, onde ele conta tudo o que aconteceu com o movimento revolucionário da musica popular brasileira, antes, durante e depois. Num dos capítulos dessa obra de título “Os cinco minutos que mudou a m.p.b.”, ele disseca o disco em setenta e oito rotações com as faixas “Chega de saudade” e “Desafinado” com o violão e voz de João Gilberto. O livro parecia esgotar o assunto, quando quase em seguida lança “A onda que se ergueu do mar”, uma frase de “Tom” Jobim com mais assuntos sobre a bossa nova e que ela poderia ter surgido somente no Rio de Janeiro. Em 1992 Ruy escreve “O anjo pornográfico” – uma biografia do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (autor da peça “Vestido de noiva”, entre outras). O carioca Ruy Castro pesquisava muito e ouvia suas fontes que ele considerava fidedignas. Ele dizia: “escolho meus assuntos movidos pela paixão. Uma fonte puxa outra, até tornarem-se verdadeiras para mim. E eu assumo-as, inclusive juridicamente”.

A vida de Nelson Rodrigues escrita por Ruy não agradou a família do biografado. Já com uma obra literária que veio a seguir “Estrela solitária – um brasileiro chamado Garrincha” (1995) também desagradou as filhas do famoso jogador de futebol, o que lhe valeu um processo criminal que durou até 2007. Insatisfeito Ruy Castro quase desistiu de contar sobre as carreiras e vidas de alguns habitantes do Rio sempre famosos.

Mas, em 2005, após muita pesquisa, assina “Carmen, uma biografia”, sobre a cantora Carmen Miranda. Depois: “Ela é carioca – uma enciclopédia de Ipanema” (sobre pessoas que quiseram construir um novo Brasil), “Carnaval no fogo” (sobre o surgimento do Rio).

E mais recentemente em 2019, “Metrópole à beira mar” (o Rio moderno dos anos 1920), pela editora Companhia das Letras (sempre!) e antes disso em 2015, “A noite do meu bem – a história e as histórias do samba-canção”. O tema de seus livros e sempre um acontecimento da ex capital da república. Formado em Ciências Sociais pela faculdade nacional de filosofia (hoje Faculdade Federal do Rio de Janeiro) em suas obras, Ruy expõe todos os assuntos: políticos, sociais, econômicos, artísticos e dá uma aula de Brasil em várias épocas.

Em sua última obra “Metrópole à beira mar – o Rio moderno dos anos 1920” Ruy Castro menospreza um pouco (ou muito!) a “Semana de Arte Moderna de 1922”, em São Paulo (cidade que ele considerava provinciana na época). E na mesma obra cita na página 266 que durante a Revolução de 1924, em São Paulo – “Washington Luiz esconde-se aqui em Itapetininga, no sul do estado, com o poeta Menotti del Picchia, a pintora Tarsila do Amaral e o escritor Oswald de Andrade.

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