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Comunidade São Roque: os possíveis caminhos da fé

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Milton Cardoso
Especial para o Correio

Laura Oliveira
Colaboração

Na próxima semana, mais precisamente no dia 23 de setembro, comemora-se 42 anos da realização da primeira missa de instalação da Paróquia São Roque, localizada na Vila Rio Branco, zona oeste da cidade. A missa ocorreu em 1978, sendo presidida por Dom José Malhado Campos, bispo da Diocese de Sorocaba. O primeiro padre da igreja foi José Luís Paillard, conhecido como “padre francês”. Paillard ficou à frente da paróquia até 1983.
O que muita gente desconhece é que a atual construção é a terceira edificação da igreja. A primeira capela foi construída na década de 1940. Com o aumento gradativo da população na comunidade, houve a necessidade de uma nova Igreja, que foi usada até o início da década de 90.

Um dos frequentadores mais antigos da paróquia é o Diácono David José Ferreira. Ele conta que juntamente com sua esposa, ajudou ativamente na construção da nova igreja e relembra dos bons tempos que viveu na São Roque. Ferreira é considerado um dos diáconos em atividade mais antigos do Brasil. “Estudei teologia durante três anos. Quando fui pegar meu certificado, fui convidado para ser diácono na igreja. Nunca pensei e nem desejei ser diácono, mas aceitei o convite”, diz. Sua consagração como diácono ocorreu em 1973, pelas mãos do bispo Dom José Melhado.

Muitas memórias da antiga igreja são relembradas com carinho pelos paroquianos até hoje. É o caso de Rosemary Proença, que trabalhou como secretária da paróquia e recorda de um insólito morador na torre da igreja, uma enorme coruja branca. O animal causava admiração e medo nos paroquianos. Muitos acreditavam que a bela ave era um “anjo”. “Coisas que só a fé de cada um pode explicar”, comenta. “Acredito que a coruja partiu depois da demolição da antiga igreja”, deduz.

Outra lembrança que vem à tona, foi uma manifestação de fé que a marcou profundamente. Rosemary recorda que uma paroquiana muito querida na São Roque, chegou muito nervosa no salão paroquial. Nos braços trazia, enrolado em um cobertor, seu cachorro. Preocupada com o animal, a senhora veio pedir ao padre da época uma oração aos pés da imagem do santo padroeiro da igreja. Relatava, aflita, que o pet lhe havia mordido no braço. “Ela acreditava que o cachorro estava sob influência de maus espíritos e tinha fé que a intercessão de São Roque, que também tinha um cachorrinho, iria salvar o animalzinho dela”, conta Rosemary.

Cuidadoso o pároco orientou que ela procurasse atendimento médico para tratar da mordida e observasse outras reações raivosas do cachorro. Em seguida, o padre deu a benção e paroquiana retornou tranquila para sua casa, abraçada com seu animal de estimação. Este fato trouxe várias lições de vida para Rosemary. “Aprendi com aquela situação como o amor é resiliente e a particularidade da fé valorosa de cada pessoa”, conclui.

Dedicação é uma das características mais presentes entre os paroquianos da São Roque. Como a catequista Cinira Rodrigues dos Santos Camargo. Natural de Apiaí, mudou-se com a família para a Itapetininga, em 1971. Devota de Nossa Senhora de Aparecida, desde o primeiro dia na cidade começou a frequentar a igreja da Vila Aparecida, que ficava perto de sua casa na Francisco Válio. Naquela comunidade desenvolveu intensos trabalhos ligados a liturgia e a catequese.

Em 1982, quando seu marido, Roque de Camargo, decidiu comprar uma residência na Vila Rio Branco, ela confessa que não gostou muito da ideia. “Eu era muito envolvida com o trabalho na Aparecida, não queria abandonar aquela comunidade. Pedi uma benção a Nossa Senhora.”, relembra. Meses depois, o padre Vitor Coelho trouxe a imagem da Padroeira para a cidade. O altar provisório ficou onde hoje se localiza a banca de jornal. Aos pés da santa, Cinira sentiu a tranquilidade necessária para a mudança.

Cinira também contou com o apoio e os conselhos do pároco da época, Ademar Bertoleto Arruda na condução de seus préstimos ao ensino da catequese. Agradecida relembra das muitas pessoas que a ajudaram no seu crescimento, na sua caminhada de fé e de conhecimento. Entre eles, do padre José Benedito Cardoso.

O padre Cardoso substitui o padre Luís Carlos da Silva, em 1988. “Fomos falar do nosso trabalho da catequese. Atentamente, ao lado das crianças, ele nos ouviu. Deu total apoio ao nosso trabalho e contou para todos, a história sobre perseverança de uma pequena rã que caiu no latão de leite. Aquilo me marcou para sempre”, diz.

O padre José Benedito Cardoso foi o pároco que por mais tempo comandou a comunidade de São Roque. Foram 21 anos sendo o responsável pela paróquia. No ano passado, o padre foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, tornando-se monsenhor. Atualmente, o padre Marco Antônio Custódio é o pároco da igreja e os padres Ademar Bortoleto e Luís Fernando Carvalho são os vigários paroquiais.

Atualmente, a igreja conta com diversas ações para ajudar os mais necessitados na comunidade e fora dela. A pastoral da moradia, que existe desde 1993, já ajudou em média 200 famílias. De acordo com Gilberto de Almeida, um dos responsáveis pela pastoral, o projeto ajuda as famílias de renda baixa que sonham em ter uma moradia melhor. A igreja conta com ajuda de voluntários que trabalham como pedreiros e ajudam na construção ou reforma na casa dessas famílias. As famílias passam por uma triagem, logo depois de preencher a ficha na secretaria da igreja e depois de receber uma visita dos responsáveis pela pastoral, é realizado um projeto para a nova casa da família selecionada.

Já a pastoral dos moradores de rua, conta com o apoio do Grupo Esperança Viva (GEV), criado em 2016, é uma extensão do trabalho que acontece na Fazenda Esperança. A Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica que atua desde 1983 no processo de recuperação de pessoas que buscam a libertação de seus vícios, principalmente do álcool e da droga, a maioria deles sendo moradores de rua. Segundo Ismael Meira, um dos responsáveis pelo GEV, por conta da pandemia, boa parte dos moradores de rua foram acomodados na Fazenda, localizada em São Miguel Arcanjo. O GEV realiza reuniões semanais com todos os participantes, que agora por conta da pandemia, acontecem de forma online.

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