A carioca, enraizada na capital paulista, de 36 anos, Carol Naine, se apresentará nessa sexta, dia 24, no Sesi de Itapetininga. Carol vem à cidade apresentar seu atual disco, o “Qualquer um além de nós”, lançado há um ano, em novembro de 2016. A compositora concedeu uma entrevista ao Jornal Correio e expressou suas ideias acerca do disco e a posição feminina na sociedade.
Em seu disco, nos apresenta ricas melodias, sofisticadas a cada acorde, recheadas com ironias, adornadas com criticismo e inteligência, e ao mesmo tempo, sem ‘firulas’, segundo a compositora. As letras das canções podem conduzir à debates importantíssimos à sociedade contemporânea, como a crítica à sociedade patriarcal e o lugar das mulheres.
“A história das mulheres está sendo contada em primeira pessoa. Saímos de musas à letristas e compositoras. Há um movimento crescente e expressivo acontecendo. O que estamos fazendo, é o que homens sempre fizeram, contamos histórias e expressamos nossa visão de mundo.”, declara sobre o crescente movimento feminino em diversos segmentos da sociedade.
“Escrever é um ato natural: sou mulher, logo, quando escrevo, lá está a expressão de uma mulher e suas experiências. Não penso em empoderamento quando componho mas sei que me posiciono. Compreendo que as letras acabam sendo enquadradas como feministas pois tratam de um ponto de vista que não era levado em consideração. A ironia e o humor que uso nas canções servem para trazer leveza à temas que são muito delicados ou polêmicos.”
A compositora também crítica o fato de que ainda temos de discutir questões sociais antigas, “É uma liberdade conquistada com muita luta, em um processo longo e tortuoso. Se você ler textos de mulheres do início do século XX, vai encontrar esse mesmo sentimento que estamos vivendo, a necessidade de autonomia. E vai estranhar que ainda estamos debatendo esses assuntos 100 anos depois.”
Destacou a importância da internet para o crescimento de debates,“Talvez o “pulo do gato” tenha sido a internet, pois amplificou os conceitos e permitiu o reconhecimento coletivo das questões feministas. Eu leio diariamente posts de mulheres que sofreram algum tipo de abuso e criaram coragem para falar do assunto.”
“Um conjunto de informações, podem sim empoderar porque as pessoas, quando informadas, tem capacidade de se organizar coletivamente e promover mudanças reais. A minha música sozinha não é de nada! O momento é que é propicio para essa discussão e minha arte reflete como pode. O que acontece é que algumas pessoas estão disponíveis a ouvir e são tocadas pelo que cantamos, aí acontece o que você chamou de autocrítica.”
“Não acho que seja uma mágica, é o conjunto de ideias que já está fluindo e culmina com uma canção que ‘opa, faz sentido!’ Eu achava que ganharia um público feminino ou LGBT com essas canções, mas me surpreendo quando percebo que grande parte das pessoas que curte é de homens heterossexuais, que se sentem representados e compreendidos pela minha música.”
Ao ser questionada sobre críticas conservadoras, diz ser natural. “Primeiro há mesmo uma falta de entendimento das letras, depois há um ódio generalizado quando se busca desconstruir paradigmas como machismo, luta de classes e outras violências.”, continua dizendo que são apenas ofensas, “Essas críticas acontecem geralmente em redes sociais, terra de ninguém, e na verdade, não são críticas, são ofensas mesmo.”
“O meio musical é dominado por homens, então é difícil ocupar certos espaços sem ser examinada ou ouvir piadas que já passaram do tempo. Isso é incômodo porque atrapalha o trabalho, e muitas vezes, fere. No contato direto enfrentei discurso de ódio por causa dos temas das canções”, relatou a compositora.
Carol finaliza dizendo estar ansiosa,“É a primeira vez que canto em Itapetininga, estou ansiosa pra mostrar as canções, ver a reação das pessoas. Não sei se vou encontrar gente que já conhece o trabalho, isso é sempre bom. Mas amo mostrar as músicas pela primeira vez e observar o que acontece na plateia. Espero que esse contato seja bom!.”
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